Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015
Um paciente de 50 anos de idade está se recuperando de um episódio de pancreatite aguda. Duas semanas mais tarde, ele se queixa de dor epigástrica persistente. Parte da sua avaliação é uma ecografia, que revela uma estrutura cística 4 cm situada na retrocavidade adjacente à parede posterior do estômago. O tratamento, nesse momento, deve incluir:
Pseudocisto < 6cm e assintomático em fase inicial (2-4 sem) → Observação clínica.
A maioria dos pseudocistos pancreáticos agudos resolve-se espontaneamente; a intervenção é reservada para lesões sintomáticas ou complicadas após maturação da parede.
O manejo das coleções líquidas na pancreatite aguda foi padronizado pela Classificação de Atlanta revisada. O pseudocisto surge da pancreatite intersticial edematosa. Nas primeiras semanas, a conduta é expectante, pois a intervenção precoce em coleções imaturas associa-se a altas taxas de complicações e falhas. A decisão terapêutica deve basear-se na presença de sintomas e na maturação da parede da coleção, priorizando atualmente técnicas minimamente invasivas (endoscópicas) sobre a cirurgia aberta.
O pseudocisto pancreático é uma coleção líquida peripancreática encapsulada por uma parede de tecido inflamatório ou fibrótico (não epitelizado), que geralmente ocorre após 4 semanas do início de uma pancreatite aguda. Diferencia-se das coleções líquidas agudas pela presença de uma parede bem definida. No caso clínico, a estrutura cística de 4 cm identificada 2 semanas após o quadro agudo ainda está em fase de formação e maturação, sendo tecnicamente uma coleção líquida peripancreática aguda que pode evoluir para pseudocisto.
A conduta inicial para pseudocistos pequenos (geralmente < 6 cm) e assintomáticos é a observação clínica e radiológica, pois uma grande porcentagem dessas coleções (até 70%) apresenta resolução espontânea. Além disso, a parede do pseudocisto leva cerca de 4 a 6 semanas para se tornar suficientemente firme ('madura') para permitir uma drenagem interna segura (cistogastrostomia ou cistojejunostomia), caso a intervenção venha a ser necessária futuramente por sintomas ou complicações.
A intervenção (drenagem endoscópica, percutânea ou cirúrgica) está indicada quando o pseudocisto é sintomático (dor persistente, saciedade precoce por compressão gástrica, icterícia obstrutiva), quando há complicações como infecção (abscesso), hemorragia intracística ou ruptura, ou quando há um crescimento progressivo documentado em exames de imagem. Pseudocistos maiores que 6 cm que persistem por mais de 6 semanas também têm maior probabilidade de necessitar de intervenção, embora o tamanho isolado não seja mais uma indicação absoluta.
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