UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Mulher de 58 anos apresentou quadro de dor abdominal mal definida, com aproximadamente seis meses de evolução, associada a náuseas e à perda ponderal de três quilos no período. Realizou tomografia computadorizada de abdomên que identificou presença de colelitíase e lesão sólido-cística, heterogênea, com aproximadamente 7cm de diâmetro junto à cauda do pâncreas. O exame foi complementado com ecoendoscopia com biópsia por agulha fina da lesão cuja análise mostrou amilase de 1345U/L; CEA 1,1ng/mL; e ausência de mucina. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é:
Lesão cística pancreática + amilase ↑ + CEA normal + ausência de mucina → pseudocisto.
A presença de uma lesão cística pancreática com níveis elevados de amilase no líquido cístico, CEA baixo e ausência de mucina na biópsia por agulha fina é altamente sugestiva de pseudocisto pancreático, frequentemente associado a histórico de pancreatite (mesmo que subclínica ou por colelitíase).
As lesões císticas do pâncreas são achados cada vez mais frequentes devido ao aumento do uso de exames de imagem. O desafio diagnóstico reside em diferenciar lesões benignas, como os pseudocistos, de neoplasias císticas com potencial maligno, como as neoplasias mucinosas císticas (NMC) ou as neoplasias intraductais papilíferas mucinosas (NIPM). A abordagem diagnóstica envolve uma combinação de história clínica, exames de imagem e análise do líquido cístico obtido por ecoendoscopia com punção aspirativa por agulha fina (PAAF). No caso apresentado, a paciente tem uma lesão sólido-cística no pâncreas com dor abdominal e perda ponderal. A análise do líquido cístico é a chave: amilase elevada (1345 U/L) é um forte indicativo de comunicação com o ducto pancreático ou de origem inflamatória, como em um pseudocisto. O CEA baixo (1,1 ng/mL) e a ausência de mucina são características que afastam as neoplasias císticas mucinosas, que tipicamente apresentam CEA elevado e/ou mucina. Um pseudocisto pancreático é uma coleção de líquido pancreático e tecido necrótico encapsulada por tecido de granulação, sem revestimento epitelial verdadeiro. Eles são quase sempre uma complicação da pancreatite aguda ou crônica. A presença de colelitíase na paciente sugere uma pancreatite biliar prévia, mesmo que não tenha sido clinicamente evidente. Portanto, a combinação desses achados bioquímicos e citológicos aponta fortemente para o diagnóstico de pseudocisto pancreático.
Geralmente, os pseudocistos são assintomáticos, mas podem causar dor abdominal, náuseas, vômitos, saciedade precoce ou icterícia, dependendo do tamanho e localização.
A ecoendoscopia permite a visualização detalhada da lesão, coleta de líquido cístico para análise bioquímica (amilase, CEA) e citológica, e biópsia, sendo crucial para o diagnóstico diferencial.
A colelitíase é uma causa comum de pancreatite aguda, que por sua vez é a principal etiologia para a formação de pseudocistos pancreáticos, resultantes do acúmulo de líquido pancreático e necrose.
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