HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Sobre as afecções cirúrgicas do pâncreas, assinale a alternativa correta:
Pseudocisto pancreático < 6cm e assintomático → Observação clínica e acompanhamento radiológico.
A maioria dos pseudocistos pancreáticos pequenos regride espontaneamente. O manejo cirúrgico do pâncreas exige timing preciso, especialmente na pancreatite aguda, onde a intervenção precoce é deletéria.
As afecções pancreáticas representam desafios cirúrgicos complexos devido à localização retroperitoneal do órgão e sua proximidade com grandes vasos. Na pancreatite aguda, a maioria dos casos (80%) é leve e requer apenas tratamento clínico (hidratação e analgesia). A intervenção cirúrgica é reservada para a necrose infectada, preferindo-se atualmente a abordagem 'step-up' (drenagem percutânea ou endoscópica inicial antes da necrosectomia). O pseudocisto, uma coleção fluida rica em enzimas envolta por uma parede de tecido de granulação (sem epitélio), é a complicação tardia mais comum. Já no campo oncológico, o adenocarcinoma de pâncreas permanece com prognóstico reservado, sendo a ressecção cirúrgica R0 a única chance de cura, muitas vezes precedida ou seguida de quimioterapia adjuvante. A pancreatite crônica, por sua vez, tem no álcool sua principal etiologia, e o tratamento cirúrgico visa principalmente o controle da dor intratável ou complicações obstrutivas.
A drenagem de um pseudocisto pancreático está indicada quando ele é sintomático (causando dor, saciedade precoce ou obstrução biliar/gástrica) ou quando apresenta complicações como infecção ou hemorragia. Tradicionalmente, utilizava-se a regra de '6 semanas e 6 cm' (esperar 6 semanas para a parede amadurecer e intervir se > 6 cm), mas hoje a tendência é observar pseudocistos assintomáticos independentemente do tamanho, pois muitos regridem sem intervenção.
Na pancreatite aguda necrotizante, a necrosectomia deve ser adiada o máximo possível, preferencialmente por pelo menos 4 semanas após o início do quadro. Esse tempo permite que a necrose se torne organizada e delimitada (Walled-off Pancreatic Necrosis - WON), facilitando a remoção cirúrgica ou endoscópica e reduzindo o risco de complicações graves, como hemorragias incontroláveis e fístulas entéricas.
O tratamento cirúrgico padrão para o adenocarcinoma localizado na cabeça do pâncreas ou no processo uncinado é a duodenopancreatectomia, também conhecida como cirurgia de Whipple. Já para tumores localizados no corpo ou na cauda do pâncreas, o procedimento de escolha é a pancreatectomia distal, geralmente associada à esplenectomia para garantir a linfadenectomia adequada.
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