Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Uma senhora melanodérmica, com 46 anos de idade, foi internada com dor intensa no andar superior do abdome. Previamente, a paciente era hígida e assintomática. Diagnosticou-se pancreatite biliar grave, e ela ficou internada durante dois meses, período no qual, foi submetida à colecistectomia e retirada endoscópica de cálculos coledocianos. Ela recebeu alta em boas condições gerais, mas, após quatro meses, desenvolveu um pseudocisto de corpo pancreático que foi crescendo no espaço retrogástrico. Após um ano, esse cisto de parede espessa media 22cm e trazia desconforto, principalmente dispéptico, por compressão gástrica posterior. Qual é a MELHOR conduta nesse caso?
Pseudocisto sintomático ou compressivo → Drenagem interna (preferencialmente ecoendoscópica).
O pseudocisto pancreático é uma coleção fluida encapsulada por parede inflamatória. Quando sintomático ou gigante, a drenagem interna via ecoendoscopia é o padrão-ouro após a maturação da parede.
O pseudocisto é uma complicação tardia da pancreatite aguda, caracterizado por uma coleção de suco pancreático rica em amilase, delimitada por tecido de granulação e fibrose, sem revestimento epitelial. O manejo evoluiu de cirurgias abertas para técnicas minimamente invasivas. Atualmente, a cistogastroanastomose ou cistoduodenoanastomose guiada por ecoendoscopia é o padrão-ouro para coleções acessíveis, utilizando stents plásticos ou metálicos (LAMS). A cirurgia (laparoscópica ou aberta) é reservada para casos de falha endoscópica, coleções multiloculadas complexas ou quando há necessidade de tratar outras patologias associadas.
A drenagem é indicada em pseudocistos sintomáticos (dor, saciedade precoce, obstrução biliar ou gástrica) ou complicados (infecção, hemorragia). Tradicionalmente, esperava-se 6 semanas para maturação da parede, mas o critério principal hoje é a presença de sintomas e parede bem formada ao exame de imagem.
A drenagem percutânea de coleções pancreáticas estéreis apresenta alto risco de contaminação secundária e desenvolvimento de fístulas pancreatocutâneas de difícil fechamento. A drenagem interna (endoscópica ou cirúrgica) evita essa complicação ao direcionar o conteúdo para o trato digestivo.
A ecoendoscopia (EUS) permite localizar o local ideal para a punção, evitando vasos interpostos (como varizes gástricas) e garantindo que a parede do cisto esteja aderida ao estômago ou duodeno, aumentando significativamente a segurança e a taxa de sucesso do procedimento.
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