Pseudocisto Pancreático: Diagnóstico e Drenagem Endoscópica

ENARE/ENAMED — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 45 anos teve uma pancreatite aguda e, após 6 semanas, passou a notar dor abdominal persistente, saciedade precoce, náusea e perda de peso. Ao procurar o serviço médico, foram verificados níveis elevados das enzimas pancreáticas e uma lesão cística de aproximadamente 8 cm em cauda do pâncreas, em contato com a parede gástrica. Qual é o provável diagnóstico e a conduta mais adequada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Trata-se provavelmente de necrose pancreática que deve ser tratada com antibióticos de amplo espectro como o meropenem.
  2. B) Trata-se provavelmente de um pseudocisto pancreático que deve ser tratado com antibióticos de amplo espectro como o meropenem.
  3. C) Trata-se provavelmente de pseudocisto pancreático e pode-se tentar uma drenagem endoscópica transgástrica.
  4. D) Trata-se provavelmente de necrose pancreática que deve ser tratada de maneira expectante, com indicação de intervenção cirúrgica se o paciente apresentar febre.
  5. E) Trata-se provavelmente de pseudocisto pancreático que deve ser tratado com abordagem cirúrgica por laparotomia.

Pérola Clínica

Pseudocisto pancreático >6cm e sintomático → drenagem endoscópica transgástrica.

Resumo-Chave

O quadro clínico (dor, saciedade precoce, perda de peso) e o achado de uma lesão cística de 8 cm em cauda do pâncreas após 6 semanas de pancreatite aguda são altamente sugestivos de pseudocisto pancreático. Pseudocistos grandes (>6 cm) e sintomáticos, especialmente aqueles em contato com a parede gástrica, têm indicação de drenagem, sendo a via endoscópica transgástrica a abordagem de escolha devido à menor invasividade e alta eficácia.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, e suas complicações podem ser significativas, impactando a morbidade e mortalidade dos pacientes. Entre as complicações tardias, o pseudocisto pancreático é uma das mais comuns, caracterizado por uma coleção de líquido pancreático, tecido necrótico e inflamatório, encapsulada por uma parede de tecido de granulação ou fibrose, que geralmente se forma 4 a 6 semanas após o episódio agudo. O diagnóstico de pseudocisto pancreático é frequentemente suspeitado em pacientes com história de pancreatite aguda que desenvolvem dor abdominal persistente, saciedade precoce, náuseas ou perda de peso. A confirmação é feita por exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que revelam uma lesão cística bem definida. A diferenciação de outras coleções líquidas, como a necrose pancreática encapsulada (WON), é crucial, pois a WON contém componentes sólidos e necróticos e pode exigir abordagens de drenagem diferentes. A conduta para pseudocistos pancreáticos depende de seu tamanho, sintomatologia e complicações. Pseudocistos pequenos e assintomáticos podem ser apenas observados, pois muitos regridem espontaneamente. No entanto, pseudocistos grandes (> 6 cm) ou sintomáticos, como o caso apresentado, requerem intervenção. A drenagem endoscópica transgástrica, quando o pseudocisto está em contato com a parede gástrica, é a abordagem de escolha devido à sua eficácia e menor invasividade em comparação com a cirurgia. O conhecimento aprofundado dessas condições e suas abordagens terapêuticas é fundamental para residentes que atuam em gastroenterologia e cirurgia geral.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas de um pseudocisto pancreático sintomático?

Os sintomas comuns incluem dor abdominal persistente, saciedade precoce, náuseas, vômitos e perda de peso, que resultam da compressão de estruturas adjacentes pelo pseudocisto em crescimento.

Quando a drenagem de um pseudocisto pancreático é indicada?

A drenagem é indicada para pseudocistos que são sintomáticos, grandes (geralmente > 6 cm), que persistem por mais de 6 semanas, ou que apresentam complicações como infecção, ruptura ou obstrução biliar/gástrica.

Por que a drenagem endoscópica transgástrica é a abordagem preferencial para pseudocistos?

A drenagem endoscópica transgástrica é preferencial por ser menos invasiva que a cirurgia aberta, ter menor tempo de recuperação e menor risco de complicações. É especialmente eficaz quando o pseudocisto está em contato próximo com a parede gástrica, permitindo a criação de uma comunicação interna para drenagem.

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