UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um homem de 58 anos, com histórico de cirrose, hipertensão porta, varizes esofágicas, gástricas difusas e pancreatite crônica alcoólica, desenvolve um pseudocisto pancreático que continua a crescer em tamanho, apesar do acompanhamento regular. Após novas investigações, ele apresenta dor abdominal persistente. Diante desse cenário, qual seria a conduta mais apropriada para o manejo deste paciente?
Pseudocisto pancreático + Varizes gástricas difusas → Drenagem cirúrgica (risco hemorrágico na endoscopia).
A drenagem endoscópica de pseudocistos é preferencial, mas a presença de varizes gástricas e hipertensão portal grave torna o procedimento perigoso, indicando a via cirúrgica.
O pseudocisto pancreático é uma coleção fluida encapsulada por tecido de granulação, sem revestimento epitelial, que surge geralmente 4 semanas após um episódio de pancreatite. Em pacientes com pancreatite crônica alcoólica e cirrose, o manejo é complexo devido às comorbidades associadas. A hipertensão portal gera varizes que podem recobrir a área de aposição entre o estômago e o cisto. Embora a ecoendoscopia (EUS) tenha revolucionado o tratamento permitindo drenagens minimamente invasivas, ela possui limitações técnicas em campos com varizes extensas. A escolha da drenagem cirúrgica neste cenário visa a segurança do paciente, garantindo hemostasia adequada em um terreno de coagulopatia e circulação colateral.
A drenagem endoscópica (cistogastrostomia) exige a punção da parede gástrica para criar uma comunicação com o pseudocisto. Em pacientes com hipertensão portal e varizes gástricas difusas, a parede do estômago está repleta de vasos colaterais calibrosos. A punção desses vasos durante o procedimento endoscópico, mesmo guiado por ecoendoscopia, acarreta um risco altíssimo de hemorragia digestiva alta grave e de difícil controle por via endoscópica. Por isso, nesses casos específicos, a abordagem cirúrgica aberta ou laparoscópica é preferida, pois permite o controle direto de eventuais sangramentos e a ligadura de vasos se necessário.
A maioria dos pseudocistos pancreáticos resolve-se espontaneamente com tratamento conservador. As indicações para drenagem incluem: pseudocistos sintomáticos (causando dor persistente, saciedade precoce ou náuseas), complicações como infecção (abscesso), hemorragia intracística, compressão de estruturas adjacentes (como obstrução biliar ou gástrica) e crescimento progressivo documentado em exames de imagem. O tamanho isolado (antigamente usava-se o corte de 6 cm) não é mais uma indicação absoluta de drenagem se o paciente estiver assintomático.
As opções cirúrgicas dependem da localização do pseudocisto em relação aos órgãos adjacentes. A cistogastrostomia cirúrgica é a mais comum quando o cisto está aderido à parede posterior do estômago. Outras opções incluem a cistojejunostomia em Y de Roux (preferida para cistos maiores ou em localizações onde a cistogastrostomia não é viável) e a cistoduodenostomia (para cistos na cabeça do pâncreas). A cirurgia permite uma anastomose mais ampla e segura em pacientes com anatomia distorcida por varizes ou processos inflamatórios crônicos.
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