Pseudocisto de Pâncreas: Diagnóstico e Complicações

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

E.B.S, 52 anos, sexo feminino, esteve internada há cerca de seis meses com quadro de pancreatite aguda biliar moderadamente grave, Balthazar E, índice de necrose de 2 pontos. Cerca de dois meses após o quadro inicial, evoluiu com dor em abdome superior, principalmente após ingesta alimentar, náuseas e vômitos. Teve perda de 25 Kgs nos últimos meses (25% peso corporal prévio). Exames: bilirrubinas totais de 0,9 mg/dl, BI= 0,5 BD: 0,4, GGT= 30 U/L; TGO= 25 U/L; TGP = 28 U/L amilase= 752 U.I/L Ht= 35% Hb= 15 g/dl Lo= 9850/mm3. TC (cerca de 6 meses após quadro de pancreatite aguda): coleções circunscritas, com conteúdo hipodenso e realce parietal medindo de 12,5x13,7x10,1 cm, com volume de 904 cm3; outra de 6,5x6,8x5,1, com volume de 117 cm3 ; outra de 4,7x3,5x3,2 cm, com volume de 27,5 cm3. Tais coleções determinam efeito de massa no estômago, sobre o parênquima pancreático adjacente e sobre o rim esquerdo. EGD: compressão do corpo gástrico extrínseca. Qual sua principal hipótese diagnostica:

Alternativas

  1. A) Coleperitoneo
  2. B) Abscesso pancreático
  3. C) Pseudocisto de pâncreas
  4. D) Cistoadenocarcinoma de pancreas

Pérola Clínica

Pancreatite aguda + coleções encapsuladas > 4 semanas + sintomas → Pseudocisto de pâncreas.

Resumo-Chave

Pseudocistos de pâncreas são coleções de líquido pancreático encapsuladas por uma parede de tecido fibroso, que se formam como complicação da pancreatite aguda ou crônica. Geralmente surgem 4 semanas ou mais após o evento agudo e podem causar sintomas compressivos.

Contexto Educacional

O pseudocisto de pâncreas é uma das complicações mais comuns da pancreatite aguda ou crônica. Caracteriza-se por uma coleção de líquido pancreático, enzimas e restos necróticos, encapsulada por uma parede de tecido fibroso, que se forma tipicamente quatro semanas ou mais após o início de um episódio de pancreatite. O diagnóstico é frequentemente suspeitado em pacientes com história de pancreatite que desenvolvem dor abdominal persistente, náuseas, vômitos, perda de peso ou massa palpável. A tomografia computadorizada (TC) de abdome é o método de imagem de escolha para confirmar a presença, tamanho e localização dos pseudocistos, além de avaliar possíveis complicações como efeito de massa sobre órgãos adjacentes. Para residentes, é crucial diferenciar o pseudocisto de outras coleções pancreáticas e neoplasias císticas. O manejo depende do tamanho, sintomas e complicações, variando desde a observação em casos assintomáticos até a drenagem (endoscópica, percutânea ou cirúrgica) para pseudocistos sintomáticos ou complicados, visando aliviar os sintomas e prevenir desfechos adversos.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre pseudocisto e coleção líquida aguda peripancreática?

A coleção líquida aguda peripancreática não possui parede definida e ocorre nas primeiras 4 semanas após a pancreatite aguda, enquanto o pseudocisto é encapsulado por tecido fibroso e se forma após 4 semanas.

Quando o pseudocisto de pâncreas deve ser tratado?

Pseudocistos assintomáticos e pequenos podem ser apenas observados. O tratamento (drenagem endoscópica, percutânea ou cirúrgica) é indicado para pseudocistos sintomáticos, grandes, em crescimento ou com complicações como infecção ou obstrução.

Quais são as principais complicações de um pseudocisto pancreático?

As complicações incluem infecção (levando a abscesso), ruptura, hemorragia, obstrução biliar ou gástrica devido ao efeito de massa, e formação de fístulas pancreáticas.

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