Pseudocisto Esplênico: Diagnóstico e Conduta

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 28 anos procura serviço ambulatorial de cirurgia geral com queixas de saciedade precoce e soluços nos últimos oito meses. Nega história de perda ponderal nesse período e nega febre. Não fez viagens recentes e afirma história de trauma há oito anos em um jogo de futebol. Em investigação radiológica, é evidenciada imagem cística no baço de aproximadamente 14cm, sem áreas de calcificação. Os exames laboratoriais foram normais, incluindo marcadores tumorais. O diagnóstico e tratamento mais indicado, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) Pseudocisto esplênico / esplenectomia total.
  2. B) Cisto verdadeiro / drenagem percutânea.
  3. C) Cisto simples / esplenectomia parcial.
  4. D) Cisto hidático / alcoolização do cisto.

Pérola Clínica

Trauma prévio + Cisto esplênico grande (>10cm) sem cápsula epitelial = Pseudocisto.

Resumo-Chave

Pseudocistos esplênicos são coleções crônicas pós-traumáticas sem revestimento epitelial; quando sintomáticos ou volumosos, a esplenectomia é o tratamento de escolha.

Contexto Educacional

Os cistos esplênicos são achados relativamente raros, classificados em parasitários e não parasitários. Dentre os não parasitários, os pseudocistos representam cerca de 80% dos casos e estão quase invariavelmente ligados a traumas abdominais contusos prévios. A fisiopatologia envolve a evolução de um hematoma que não é reabsorvido, transformando-se em uma coleção serosa ou hemática crônica. O manejo clínico depende da sintomatologia. Cistos pequenos (< 5 cm) e assintomáticos podem ser acompanhados com imagem. Entretanto, lesões gigantes (> 10 cm) como a da paciente frequentemente comprimem órgãos adjacentes (estômago, pâncreas, diafragma), justificando a intervenção. A esplenectomia total, embora eficaz, impõe ao paciente um estado de hipoesplenismo, necessitando de vacinação profilática contra germes encapsulados (Pneumococo, Meningococo e Haemophilus) para prevenir a sepse pós-esplenectomia.

Perguntas Frequentes

O que diferencia um pseudocisto de um cisto verdadeiro no baço?

A diferença fundamental é histológica: os cistos verdadeiros (primários) possuem um revestimento epitelial interno (podendo ser congênitos, como os cistos epidermoides, ou parasitários). Já os pseudocistos (secundários) não possuem esse revestimento epitelial; sua parede é formada por tecido fibroso denso. A causa mais comum de pseudocisto esplênico é o trauma abdominal prévio, onde um hematoma intraparenquimatoso ou subcapsular se liquefaz e é organizado por uma cápsula fibrosa ao longo de meses ou anos, como observado no caso da paciente com trauma há 8 anos.

Por que a esplenectomia total foi indicada neste caso?

A indicação cirúrgica em cistos esplênicos baseia-se no tamanho e na presença de sintomas. Cistos maiores que 5-10 cm têm alto risco de ruptura espontânea, infecção ou hemorragia intracística. No caso descrito, o cisto possui 14 cm (muito volumoso) e causa sintomas compressivos (saciedade precoce por compressão gástrica e soluços por irritação diafragmática). Devido às grandes dimensões e localização, a preservação de parênquima saudável (esplenectomia parcial) torna-se tecnicamente difícil e arriscada, sendo a esplenectomia total a conduta clássica para evitar recidivas.

Como excluir cisto hidático no diagnóstico diferencial?

O cisto hidático (Echinococcus granulosus) é uma causa importante de massas císticas esplênicas em áreas endêmicas. Geralmente, apresenta calcificações na parede ao raio-X ou tomografia, além de poder exibir 'cistos filhos' em seu interior. Laboratorialmente, pode haver eosinofilia e a sorologia para hidatidose é positiva. No caso clínico, a ausência de calcificações, exames laboratoriais normais e a história clara de trauma direcionam o diagnóstico para pseudocisto, descartando a etiologia parasitária que exigiria cuidados extras para evitar anafilaxia durante a manipulação.

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