Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Homem de 68 anos, tabagista de longa data, apresenta disfagia progressiva há 3 meses, inicialmente para sólidos e, mais recentemente, também para líquidos, acompanhada de perda ponderal de 12 kg no período. Não há história prévia de doenças do esôfago. Exame físico: emagrecido, sem linfonodomegalias palpáveis. Endoscopia digestiva alta sem lesões endoluminais evidentes e sem sinais de compressão extrínseca. O esofagograma contrastado (EED) mostra dilatação esofágica difusa com afilamento na junção esofagogástrica. A tomografia de tórax evidencia massa sólida pulmonar no lobo superior direito, medindo 5 cm, com linfonodomegalias mediastinais. A justificativa mais provável para a disfagia é:
Disfagia + Perda de peso + Padrão de acalasia no idoso → Suspeite de Pseudoacalasia neoplásica.
A pseudoacalasia mimetiza a acalasia idiopática clínica e radiologicamente, mas é causada por neoplasias que infiltram o plexo mientérico ou exercem efeito paraneoplásico.
A acalasia é um distúrbio de motilidade esofágica caracterizado pela ausência de peristaltismo e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). Quando esses achados ocorrem secundariamente a uma neoplasia, chamamos de pseudoacalasia. O câncer de pulmão de pequenas células é um dos tumores frequentemente associados a síndromes paraneoplásicas neurológicas que afetam o trato gastrointestinal. O reconhecimento precoce é crucial, pois o tratamento deve focar na doença de base, e não apenas na dilatação do EEI.
A pseudoacalasia, ou acalasia secundária, é uma condição clínica que mimetiza os achados da acalasia idiopática (disfagia, regurgitação e perda de peso), mas é causada por uma doença subjacente, geralmente neoplásica. O mecanismo envolve a infiltração direta do plexo mientérico esofágico por células tumorais ou um efeito paraneoplásico que compromete a motilidade esofágica e o relaxamento do esfíncter esofágico inferior. É mais comum em pacientes acima de 60 anos com início súbito de sintomas e perda de peso significativa.
A diferenciação clínica pode ser difícil, mas a pseudoacalasia deve ser suspeitada em pacientes idosos, com sintomas de curta duração (menos de 1 ano) e perda de peso rápida e acentuada. Radiologicamente, ambos apresentam o sinal do 'bico de pássaro'. No entanto, na endoscopia, a pseudoacalasia pode apresentar maior resistência à passagem do aparelho pela junção esofagogástrica. O diagnóstico definitivo muitas vezes requer exames de imagem avançados (TC ou ecoendoscopia) para identificar a neoplasia oculta, comumente no cárdia gástrico ou pulmão.
Neste cenário clínico, o câncer de pulmão (massa de 5 cm com linfonodomegalias) atua como o gatilho para a pseudoacalasia. Embora a compressão extrínseca seja uma possibilidade, o padrão de dilatação esofágica difusa com afilamento distal sugere um distúrbio motor funcional. A síndrome paraneoplásica é a explicação mais provável, onde anticorpos ou fatores produzidos pelo tumor pulmonar interferem na inervação intrínseca do esôfago, impedindo o relaxamento do esfíncter esofágico inferior.
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