Pseudoacalasia: Diagnóstico Diferencial em Idosos com Disfagia

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 68 anos, tabagista de longa data, apresenta disfagia progressiva há 3 meses, inicialmente para sólidos e, mais recentemente, também para líquidos, acompanhada de perda ponderal de 12 kg no período. Não há história prévia de doenças do esôfago. Exame físico: emagrecido, sem linfonodomegalias palpáveis. Endoscopia digestiva alta sem lesões endoluminais evidentes e sem sinais de compressão extrínseca. O esofagograma contrastado (EED) mostra dilatação esofágica difusa com afilamento na junção esofagogástrica. A tomografia de tórax evidencia massa sólida pulmonar no lobo superior direito, medindo 5 cm, com linfonodomegalias mediastinais. A justificativa mais provável para a disfagia é:

Alternativas

  1. A) Neoplasia incipiente de esôfago distal associada a metástase pulmonar, favorecida pelo risco aumentado em pacientes com acalasia crônica.
  2. B) Síndrome paraneoplásica com desenvolvimento de pseudoacalasia.
  3. C) Compressão extrínseca da junção esofagogástrica por tumor pulmonar.
  4. D) Síndrome de Horner decorrente de acometimento do gânglio estrelado.
  5. E) Síndrome da veia cava superior com repercussão esofágica por congestão venosa.

Pérola Clínica

Disfagia + Perda de peso + Padrão de acalasia no idoso → Suspeite de Pseudoacalasia neoplásica.

Resumo-Chave

A pseudoacalasia mimetiza a acalasia idiopática clínica e radiologicamente, mas é causada por neoplasias que infiltram o plexo mientérico ou exercem efeito paraneoplásico.

Contexto Educacional

A acalasia é um distúrbio de motilidade esofágica caracterizado pela ausência de peristaltismo e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). Quando esses achados ocorrem secundariamente a uma neoplasia, chamamos de pseudoacalasia. O câncer de pulmão de pequenas células é um dos tumores frequentemente associados a síndromes paraneoplásicas neurológicas que afetam o trato gastrointestinal. O reconhecimento precoce é crucial, pois o tratamento deve focar na doença de base, e não apenas na dilatação do EEI.

Perguntas Frequentes

O que é pseudoacalasia?

A pseudoacalasia, ou acalasia secundária, é uma condição clínica que mimetiza os achados da acalasia idiopática (disfagia, regurgitação e perda de peso), mas é causada por uma doença subjacente, geralmente neoplásica. O mecanismo envolve a infiltração direta do plexo mientérico esofágico por células tumorais ou um efeito paraneoplásico que compromete a motilidade esofágica e o relaxamento do esfíncter esofágico inferior. É mais comum em pacientes acima de 60 anos com início súbito de sintomas e perda de peso significativa.

Como diferenciar acalasia de pseudoacalasia?

A diferenciação clínica pode ser difícil, mas a pseudoacalasia deve ser suspeitada em pacientes idosos, com sintomas de curta duração (menos de 1 ano) e perda de peso rápida e acentuada. Radiologicamente, ambos apresentam o sinal do 'bico de pássaro'. No entanto, na endoscopia, a pseudoacalasia pode apresentar maior resistência à passagem do aparelho pela junção esofagogástrica. O diagnóstico definitivo muitas vezes requer exames de imagem avançados (TC ou ecoendoscopia) para identificar a neoplasia oculta, comumente no cárdia gástrico ou pulmão.

Qual a relação entre câncer de pulmão e disfagia neste caso?

Neste cenário clínico, o câncer de pulmão (massa de 5 cm com linfonodomegalias) atua como o gatilho para a pseudoacalasia. Embora a compressão extrínseca seja uma possibilidade, o padrão de dilatação esofágica difusa com afilamento distal sugere um distúrbio motor funcional. A síndrome paraneoplásica é a explicação mais provável, onde anticorpos ou fatores produzidos pelo tumor pulmonar interferem na inervação intrínseca do esôfago, impedindo o relaxamento do esfíncter esofágico inferior.

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