HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023
ICSB, sexo feminino, 91 anos, com história de DM, HAS e doença coronariana, foi internada há 2 semanas após complicações de uma cirurgia de prótese total de quadril direito. Relata cólica de baixa intensidade e que há 5 dias parou de evacuar. Ao exame físico apresenta abdome distendido, hipertimpanismo à percussão difusa, dor à palpação profunda difusa e peristalse reduzida. A radiografia abdominal mostrou distensão de todo o cólon até o reto. Considerando os dados apresentados, a hipótese diagnóstica mais provável para o caso é:
Idoso, comorbidades, pós-op, distensão abdominal difusa, RX cólon dilatado até reto → Pseudo-obstrução intestinal (Ogilvie).
A pseudo-obstrução intestinal aguda (Síndrome de Ogilvie) é uma condição caracterizada por dilatação colônica maciça na ausência de obstrução mecânica. É comum em pacientes idosos, com comorbidades e em pós-operatório, especialmente após cirurgias ortopédicas ou cardíacas, devido a disfunção autonômica.
A pseudo-obstrução intestinal aguda, também conhecida como Síndrome de Ogilvie, é uma condição clínica caracterizada por uma dilatação maciça do cólon na ausência de uma obstrução mecânica. É mais prevalente em pacientes idosos, polimedicados e com múltiplas comorbidades, frequentemente desencadeada por eventos estressores como cirurgias (especialmente ortopédicas e cardíacas), trauma, infecções graves ou uso de certos medicamentos (ex: opioides). Sua importância reside no risco de isquemia e perfuração colônica se não for reconhecida e tratada precocemente. A fisiopatologia da Síndrome de Ogilvie envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo, com desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática do cólon, levando a uma inibição da motilidade colônica. O diagnóstico é de exclusão, baseado na apresentação clínica de distensão abdominal, dor e ausência de eliminação de gases/fezes, associado a exames de imagem (radiografia, tomografia) que mostram dilatação colônica significativa, muitas vezes até o reto, sem evidência de obstrução mecânica. O tratamento inicial é conservador, com suporte clínico, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade intestinal, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e descompressão nasogástrica. Se a dilatação persistir ou houver risco de perfuração (ceco > 12 cm), a descompressão colonoscópica ou o uso de neostigmina (um inibidor da acetilcolinesterase) podem ser necessários. O prognóstico depende do reconhecimento precoce e manejo adequado para evitar complicações graves.
Fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades (DM, DAC), pós-operatório (especialmente ortopédico ou cardíaco), trauma, infecções graves, uso de opioides e distúrbios eletrolíticos, que podem desencadear a disfunção autonômica.
A diferenciação é feita pela ausência de um ponto de obstrução mecânica em exames de imagem (como tomografia) e pela dilatação do cólon que se estende até o reto, sem transição abrupta, ao contrário da obstrução mecânica.
A conduta inicial inclui suporte clínico, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade, correção de distúrbios eletrolíticos e, se a dilatação persistir ou houver risco de perfuração, descompressão endoscópica ou uso de neostigmina.
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