FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Paciente 80 anos, diabético, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica e doença coronariana, internado há 20 dias devido a fratura de colo de fêmur. Foi solicitada sua avaliação pela equipe da ortopedia devido a distensão abdominal importante. Durante anamnese, paciente relata ainda parada de eliminação de flatos e fezes há cerca de 4 dias e dor abdominal em cólica de baixa intensidade. Ao exame, paciente em bom estado geral, abdome distendido, hipertimpânico, peristalse reduzida. Realizada radiografia de abdome que evidenciou distensão de todo o cólon até o reto. Considerando os dados apresentados, a hipótese diagnóstica mais provável para o caso é:
Idoso acamado + distensão abdominal + parada flatos/fezes + RX cólon dilatado até reto sem obstrução → Pseudo-obstrução intestinal.
A pseudo-obstrução intestinal, ou Síndrome de Ogilvie, é uma dilatação aguda do cólon sem obstrução mecânica, comum em pacientes idosos, acamados, com comorbidades e uso de medicações. O RX de abdome mostrando distensão de todo o cólon até o reto, sem ponto de transição, é característico.
A pseudo-obstrução intestinal, também conhecida como Síndrome de Ogilvie, é uma condição caracterizada pela dilatação aguda e maciça do cólon na ausência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes idosos, com múltiplas comorbidades, que foram submetidos a cirurgias (especialmente ortopédicas ou cardíacas), trauma, infecções graves ou que fazem uso de medicações que afetam a motilidade intestinal, como opioides. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações graves como a perfuração colônica. A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo, resultando em um desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática do cólon. Clinicamente, o paciente apresenta distensão abdominal importante, dor abdominal em cólica de intensidade variável e parada de eliminação de flatos e fezes. O exame físico revela abdome distendido e hipertimpânico, com peristalse reduzida. A radiografia simples de abdome é o exame inicial e tipicamente mostra dilatação do cólon, que pode se estender do ceco até o reto, sem um ponto de transição claro, diferenciando-a de uma obstrução mecânica. O tratamento inicial é conservador, com suspensão de medicações que possam agravar o quadro, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e descompressão nasogástrica. A neostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, pode ser utilizada para estimular a motilidade colônica. Em casos de falha do tratamento conservador ou risco iminente de perfuração, a colonoscopia descompressiva ou, em último caso, a cirurgia podem ser necessárias. A monitorização cuidadosa do diâmetro colônico é essencial para guiar a conduta.
Os fatores de risco incluem idade avançada, imobilização prolongada, cirurgias recentes (especialmente ortopédicas ou cardíacas), trauma, infecções graves, distúrbios metabólicos (ex: hipocalemia, hipomagnesemia) e uso de certos medicamentos (ex: opioides, anticolinérgicos).
A radiografia de abdome tipicamente mostra dilatação do cólon, que pode se estender do ceco até o reto, sem evidência de um ponto de obstrução mecânica. A ausência de gás no reto pode ser um achado, mas a dilatação generalizada é mais sugestiva.
A conduta inicial envolve suporte clínico, suspensão de medicações que possam agravar o quadro, correção de distúrbios eletrolíticos, descompressão nasogástrica e, em alguns casos, uso de neostigmina para estimular a motilidade colônica. A colonoscopia descompressiva pode ser necessária em casos de falha do tratamento conservador ou dilatação progressiva.
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