Obstrução Colônica Aguda: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Um paciente com 70 anos de idade, com sequela de acidente vascular encefálico, acamado, apresenta quadro de distensão abdominal, dor tipo cólica intensa e parada de eliminação de gases e fezes há cerca de 24 horas. Nega vômitos ou febre. A acompanhante informou que o paciente já apresentava constipação crônica, sendo muitas vezes necessário clister glicerinado para retirada de fecaloma. Entretanto, desta vez, relata que realizou o clister, sem saída de fezes e com piora do quadro abdominal. O exame do abdome estava prejudicado pela pouca interação do paciente, mas ele manifestava dor à palpação difusa. O toque retal mostrou ampola retal vazia. Realizaram-se as radiografias de rotina para abdome agudo, o que evidenciou, além de imagem de fecaloma, intensa dilatação de todo o cólon (mais dilatado no ceco - 11 cm de diâmetro), ausência de gás no reto e ausência de dilatação de intestino delgado. A conduta médica indicada para esse paciente é

Alternativas

  1. A) laparotomia exploradora.
  2. B) colonoscopia descompressiva.
  3. C) esvaziamento colônico manual.
  4. D) laxantes via sonda nasogástrica.

Pérola Clínica

Idoso acamado + distensão abdominal + parada de eliminação + ceco > 10-12 cm + ampola vazia + falha de tratamento conservador → Risco de perfuração, indicar laparotomia.

Resumo-Chave

O quadro sugere uma pseudo-obstrução colônica aguda (Síndrome de Ogilvie) ou uma obstrução colônica funcional exacerbada por fecaloma, em paciente de risco. A dilatação significativa do ceco (>10-12 cm) aumenta o risco de perfuração, tornando a intervenção cirúrgica (laparotomia) a conduta mais segura após falha de medidas menos invasivas.

Contexto Educacional

A obstrução colônica aguda em pacientes idosos e acamados, especialmente aqueles com histórico de constipação crônica e fecaloma, representa um desafio diagnóstico e terapêutico. A etiologia pode variar desde obstrução mecânica (neoplasias, volvo, estenoses) até pseudo-obstrução colônica aguda, também conhecida como Síndrome de Ogilvie. Esta última é uma dismotilidade colônica que leva à dilatação maciça do cólon sem uma causa obstrutiva mecânica, frequentemente precipitada por doenças sistêmicas, cirurgias ou medicamentos. O quadro clínico típico inclui distensão abdominal, dor tipo cólica e parada de eliminação de gases e fezes. A ausência de vômitos ou febre pode ser enganosa, pois a isquemia e perfuração podem ocorrer sem sinais clássicos de peritonite em pacientes debilitados. O exame físico pode ser limitado pela interação do paciente, mas a palpação abdominal e o toque retal (ampola vazia, apesar da obstrução proximal) são importantes. A radiografia de abdome agudo é fundamental, revelando a dilatação colônica. A dilatação do ceco acima de 10-12 cm é um sinal de alerta crítico, pois indica um risco iminente de isquemia e perfuração, que pode ser fatal. Nesses casos, a conduta deve ser agressiva. Embora a colonoscopia descompressiva possa ser tentada em casos selecionados de pseudo-obstrução sem sinais de complicação, a presença de uma dilatação tão significativa do ceco, juntamente com a falha de medidas conservadoras (clister), aponta para a necessidade de laparotomia exploradora para avaliar a viabilidade do cólon e tratar a causa da obstrução ou descompressão cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme em uma obstrução colônica aguda?

Sinais de alarme incluem dilatação progressiva do cólon, especialmente do ceco (diâmetro > 10-12 cm), que indica alto risco de isquemia e perfuração. Outros sinais são dor abdominal intensa, sinais de peritonite, febre e leucocitose.

O que é a Síndrome de Ogilvie e como ela se relaciona com este caso?

A Síndrome de Ogilvie é uma pseudo-obstrução colônica aguda, caracterizada por dilatação maciça do cólon sem obstrução mecânica. É comum em pacientes idosos, acamados, com comorbidades e uso de certos medicamentos. Neste caso, a constipação crônica e o fecaloma podem ter precipitado ou exacerbado um quadro funcional similar.

Quando a laparotomia exploradora é indicada em casos de obstrução colônica?

A laparotomia exploradora é indicada quando há sinais de complicação, como isquemia, perfuração, peritonite ou falha de tratamento conservador em casos de alto risco. A dilatação do ceco > 10-12 cm é um forte indicativo de risco de perfuração e, portanto, de necessidade de intervenção cirúrgica imediata.

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