USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher, 40 anos, internada em uma Unidade de Terapia Intensiva após queimadura de 3° grau de 40% da superfície corporal. Antecedentes pessoais: previamente hígida. Apresenta distensão abdominal importante e parada de eliminação de fezes. Ao exame: intubada, hipocorada e afebril. FC = 88 bpm. PA: 110 x 70 mmHg, sem drogas vasoativas. Abdome tenso e com distensão importante. Toque retal com fezes sólidas. Hemograma, lactato, função renal e eletrólitos normais. Radiografia de abdome apresenta colograma aéreo difuso e importante (vide figura). Tomografia do abdome sem ponto de obstrução. Qual a melhor hipótese e conduta?
Paciente crítico com distensão abdominal, colograma aéreo difuso e sem obstrução mecânica → Síndrome de Ogilvie; tratar com descompressão.
A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução colônica aguda, é uma condição caracterizada por dilatação maciça do cólon na ausência de obstrução mecânica. É comum em pacientes críticos, como os pós-queimadura, e o diagnóstico é feito por imagem (radiografia, TC) que mostra dilatação colônica sem ponto de obstrução. A conduta inicial envolve descompressão, frequentemente por sondagem retal ou colonoscopia.
A pseudo-obstrução colônica aguda, também conhecida como Síndrome de Ogilvie, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça e aguda do cólon na ausência de uma obstrução mecânica. É mais comum em pacientes hospitalizados com doenças graves, como grandes queimaduras, trauma, sepse, cirurgias extensas ou distúrbios metabólicos, e sua incidência tem sido associada ao uso de certos medicamentos. A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo entérico, levando a um desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática do cólon, resultando em atonia e dilatação. O diagnóstico é clínico e radiológico, com a radiografia de abdome mostrando dilatação colônica e a tomografia computadorizada confirmando a ausência de obstrução mecânica. É crucial diferenciar de outras causas de obstrução para evitar intervenções desnecessárias. O tratamento inicial é conservador, incluindo a correção de distúrbios eletrolíticos, suspensão de medicamentos que afetam a motilidade intestinal e descompressão. A descompressão pode ser feita por sondagem retal, mas em casos de dilatação progressiva ou risco de perfuração, a colonoscopia descompressiva ou o uso de neostigmina são opções. A não resolução pode levar a isquemia e perfuração colônica, aumentando a morbimortalidade. Residentes devem estar aptos a reconhecer e manejar essa condição em pacientes críticos.
A Síndrome de Ogilvie manifesta-se com distensão abdominal importante, dor abdominal, náuseas, vômitos e parada de eliminação de fezes e gases. É frequentemente observada em pacientes hospitalizados com comorbidades graves, como trauma, cirurgia recente, sepse ou queimaduras.
A diferenciação é feita principalmente por exames de imagem. Enquanto a radiografia de abdome pode mostrar dilatação colônica em ambos, a tomografia computadorizada de abdome com contraste é essencial para descartar uma obstrução mecânica. Na Síndrome de Ogilvie, não há um ponto de transição ou lesão obstrutiva identificável.
A conduta inicial para a pseudo-obstrução colônica aguda inclui suporte clínico, suspensão de medicamentos que diminuem a motilidade intestinal, correção de distúrbios eletrolíticos e, se a dilatação for significativa ou progressiva, descompressão. A descompressão pode ser realizada por sondagem retal, colonoscopia descompressiva ou, em casos refratários, com neostigmina.
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