USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem de 90 anos, com internação prolongada e imobilização por tratamento cirúrgico de fratura do colo do fêmur. Estava em antibioticoterapia para tratamento de pneumonia nosocomial e passou a apresentar parada de eliminação de flatos e fezes associada à distensão abdominal dolorosa. Ao exame, o estado geral era bom, entretanto o abdome era distendido, doloroso à palpação superficial, hipertimpânico e sem sinais de irritação peritoneal. A radiografia simples de abdome mostrou importante distensão gasosa de todo o cólon. Qual o provável diagnóstico e a melhor conduta indicada neste caso?
Idoso acamado + distensão colônica sem obstrução mecânica = Pseudo-obstrução colônica aguda (Ogilvie).
O quadro clínico de um idoso acamado, em uso de antibióticos, com distensão abdominal e radiografia mostrando distensão colônica sem sinais de obstrução mecânica, é altamente sugestivo de pseudo-obstrução colônica aguda (Síndrome de Ogilvie). A conduta inicial inclui suporte clínico, mas a descompressão endoscópica é frequentemente necessária para evitar complicações graves como a perfuração.
A pseudo-obstrução colônica aguda, também conhecida como Síndrome de Ogilvie, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça do cólon na ausência de uma obstrução mecânica. É mais comum em pacientes idosos, acamados, com comorbidades graves, após cirurgias (especialmente ortopédicas ou cardíacas), trauma, infecções (como pneumonia nosocomial) ou uso de medicamentos que afetam a motilidade intestinal (ex: opioides). A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autonômico entérico, levando a uma descoordenação da motilidade colônica. O diagnóstico é clínico e radiológico, com a radiografia simples de abdome mostrando distensão gasosa do cólon, frequentemente com o ceco sendo a porção mais dilatada. É crucial excluir uma obstrução mecânica, geralmente com tomografia computadorizada. O tratamento inicial é conservador, com suspensão de medicamentos que afetam a motilidade, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e mobilização do paciente. No entanto, se o ceco atingir um diâmetro crítico (> 10-12 cm) ou se o paciente não melhorar, a descompressão endoscópica (colonoscopia descompressiva) é a intervenção de escolha para prevenir a perfuração colônica, uma complicação grave e potencialmente fatal.
Os fatores de risco para a Síndrome de Ogilvie incluem idade avançada, imobilização prolongada, cirurgias recentes (especialmente ortopédicas), doenças cardíacas, respiratórias, neurológicas, trauma e uso de certos medicamentos (opioides, anticolinérgicos).
O diagnóstico da pseudo-obstrução colônica aguda é feito pela tríade de distensão abdominal, evidência radiológica de dilatação colônica (especialmente ceco > 10-12 cm) e exclusão de obstrução mecânica por exames de imagem como tomografia computadorizada.
A descompressão endoscópica é indicada na Síndrome de Ogilvie quando o tratamento conservador falha, há dilatação progressiva do ceco (especialmente > 12 cm) ou sinais de isquemia, para prevenir a perfuração colônica.
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