Pseudo-obstrução Colônica Aguda: Diagnóstico e Manejo

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Idoso admitido na UTI devido a acidente vascular encefálico evolui com quadro progressivo de distensão abdominal e, há quatro dias, não evacua. Encontra-se em internação crônica e já realizou tratamento para sepse de foco pulmonar. Apresenta abdome distendido, ruídos hidroaéreos ausentes, hipertimpânico e doloroso predominantemente em fossa ilíaca direita. Exames laboratoriais: leucócitos 11.000/uL, creatinina 1,8 mg/dL, sódio 148 mEq/L, potássio 3,2 mEq/L e proteína C reativa 35 mg/L.A tomografia mostra distensão do ceco com diâmetro aproximado de 10 centímetros, sem fator obstrutivo. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o diagnóstico e a conduta.

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda, tratamento cirúrgico.
  2. B) Diverticulite aguda complicada com obstrução, tratamento cirúrgico.
  3. C) Íleo paralítico, hidratação e correção dos distúrbios hidroeletrolíticos.
  4. D) Pseudo obstrução colônica, administração de neostigmina.
  5. E) Tumor de cólon direito com suboclusão, colonoscopia diagnóstica.

Pérola Clínica

Idoso + AVE + Distensão abdominal + Ceco > 10cm sem obstrução mecânica → Pseudo-obstrução colônica (Ogilvie) = Neostigmina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de distensão abdominal progressiva, ausência de evacuação, ruídos hidroaéreos ausentes e distensão cecal > 10 cm sem obstrução mecânica em paciente idoso com comorbidades (AVE, sepse prévia) é altamente sugestivo de pseudo-obstrução colônica aguda (Síndrome de Ogilvie). A neostigmina é o tratamento de escolha para descompressão.

Contexto Educacional

A pseudo-obstrução colônica aguda, também conhecida como Síndrome de Ogilvie, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça do cólon, geralmente envolvendo o ceco e o cólon direito, sem evidência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes idosos e com comorbidades graves, como doenças neurológicas (AVE), sepse, trauma ou pós-operatório. A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve uma disfunção autonômica do cólon, é fundamental para o reconhecimento precoce. O diagnóstico da Síndrome de Ogilvie é clínico e radiológico. Os pacientes apresentam distensão abdominal progressiva, dor e ausência de evacuação. Exames de imagem, como a tomografia computadorizada, são cruciais para confirmar a dilatação colônica (ceco > 10 cm é um sinal de alerta para perfuração) e, principalmente, para excluir uma obstrução mecânica. A diferenciação de um íleo paralítico generalizado é importante, pois a Síndrome de Ogilvie tende a ser mais segmentar e com maior risco de perfuração cecal. A conduta inicial envolve suporte clínico, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e suspensão de medicamentos que possam inibir a motilidade intestinal. Se o diâmetro cecal for > 10-12 cm ou houver falha na terapia conservadora, a administração de neostigmina intravenosa é o tratamento de escolha, promovendo a descompressão colônica. Em casos refratários ou com risco iminente de perfuração, a colonoscopia descompressiva ou, raramente, a cirurgia podem ser necessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Ogilvie?

O diagnóstico da Síndrome de Ogilvie é baseado na presença de distensão colônica significativa (especialmente ceco > 10 cm) em exames de imagem, sem evidência de obstrução mecânica, em pacientes com condições médicas subjacentes.

Por que a neostigmina é utilizada no tratamento da pseudo-obstrução colônica?

A neostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase que aumenta a disponibilidade de acetilcolina na junção neuromuscular, estimulando a motilidade colônica e promovendo a descompressão do cólon.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da Síndrome de Ogilvie?

Fatores de risco incluem imobilização prolongada, cirurgias recentes (especialmente cardíacas e ortopédicas), trauma, sepse, distúrbios eletrolíticos, uso de opioides e doenças neurológicas como acidente vascular encefálico.

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