Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico e Manejo Pós-Operatório

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022

Enunciado

Um homem de 78 anos de idade com antecedentes de esquizofrenia e em uso de clorpromazina foi submetido a cirurgia eletiva para colocação de prótese de quadril. No quarto dia de pós-operatório, evoluiu com desconforto abdominal e náuseas, porém sem vômitos ou febre. O exame físico mostra abdome distendido, sem sinais de peritonite. Ruídos hidroaéreos estavam diminuídos e a ampola retal vazia. Os exames laboratoriais indicavam 12.000 leucócitos/mL, Na+ = 129 mEq/L, ureia = 45 mg/dL e creatinina = 1,7 mg/dL. O exameradiológico do abdome mostrou distensão de cólons, principalmente de ceco e cólons ascendente e transverso com presença de ar na ampola retal. A partir do caso clínico descrito, qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Pseudo-obstrução aguda do cólon.
  2. B) Volvo de sigmoide.
  3. C) Neoplasia obstrutiva de sigmoide.
  4. D) Colite isquêmica.

Pérola Clínica

Pós-op + distensão colônica sem obstrução mecânica + ar retal = Síndrome de Ogilvie.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie é uma pseudo-obstrução colônica aguda, comum em idosos, pós-operatório ou com comorbidades, e uso de antipsicóticos. Caracteriza-se por distensão colônica significativa sem barreira mecânica, com presença de ar distal, diferenciando-a de uma obstrução verdadeira.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução aguda do cólon, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça do cólon na ausência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes idosos e com comorbidades, frequentemente desencadeada por cirurgias, traumas, infecções ou uso de medicamentos. Sua importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico preciso para evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias e prevenir complicações graves como a perfuração colônica. A fisiopatologia envolve uma disfunção do sistema nervoso autônomo, com desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática do cólon, levando à atonia. O diagnóstico é baseado na clínica de distensão abdominal, náuseas e constipação, associado a achados radiológicos de dilatação colônica (especialmente ceco e cólon direito) com presença de ar distal. A exclusão de uma obstrução mecânica é fundamental, geralmente realizada por tomografia computadorizada de abdome. O tratamento visa a descompressão do cólon e a prevenção de perfuração. Medidas conservadoras incluem suspensão de fármacos que afetam a motilidade, correção de distúrbios eletrolíticos e descompressão nasogástrica. A neostigmina é frequentemente utilizada para estimular a motilidade. Em casos de falha do tratamento clínico ou risco iminente de perfuração, a colonoscopia descompressiva ou, raramente, a cirurgia podem ser indicadas. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a Síndrome de Ogilvie?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, pós-operatório (especialmente cirurgias ortopédicas ou cardíacas), trauma, sepse, doenças neurológicas, distúrbios metabólicos e uso de certos medicamentos como opioides e antipsicóticos (ex: clorpromazina).

Como diferenciar a Síndrome de Ogilvie de uma obstrução intestinal mecânica?

A diferenciação é crucial. Na Síndrome de Ogilvie, há distensão colônica sem um obstáculo físico, e frequentemente se observa ar na ampola retal. Exames de imagem como tomografia computadorizada de abdome são essenciais para excluir obstrução mecânica e identificar o padrão de distensão.

Qual é o tratamento inicial para a pseudo-obstrução aguda do cólon?

O tratamento inicial envolve suporte clínico, suspensão de medicamentos que diminuem a motilidade intestinal, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e descompressão. A neostigmina pode ser usada para estimular a motilidade colônica, e em casos refratários, a colonoscopia descompressiva é uma opção.

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