Síndrome de Ogilvie: Diagnóstico e Manejo Clínico

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Paciente idoso, acamado após acidente vascular cerebral há 2 anos, antecedentes de cirurgia devido a síndrome da calda equina, internado para tratamento de infecção de foco urinário, evolui com distensão abdominal progressiva há 3 dias, parada de eliminação de flatos e fezes, sem náuseas ou vômitos, sem febre. Estado geral regular, desidratado, corado, eupneico, anictérico. Abdome pouco doloroso à palpação, timpânico e sem defesa, ruído hidroaéreo hipoativo. Leucocitose de 13000 (sem desvio), hipocalemia, aumento de creatinina e ureia. Tomografia de abdome evidencia dilatação de cólon esquerdo, transverso e direito, ceco de 07cm de dilatação; não foi observado fator obstrutivo. Qual é o provável diagnóstico e qual é a conduta inicial a ser tomada, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Pseudo-obstrução aguda do cólon/ laparotomia exploradora.
  2. B) Volvo do ceco/ cecostomia.
  3. C) Pseudo-obstrução aguda do cólon/medidas clínicas (jejum, corrigir distúrbio hidroeletrolítico e acidobásicos, sonda nasogástrica, tratar foco infeccioso).
  4. D) Volvo de sigmoide/ colonoscopia.
  5. E) Volvo de ceco/ medidas clínicas (jejum, corrigir distúrbio hidroeletrolítico e acidobásicos, sonda nasogástrica, tratar foco infeccioso).

Pérola Clínica

Idoso acamado + distensão abdominal + dilatação colônica sem obstrução mecânica = Síndrome de Ogilvie; iniciar medidas clínicas.

Resumo-Chave

A Síndrome de Ogilvie é uma pseudo-obstrução colônica aguda, comum em pacientes idosos e acamados com comorbidades. O diagnóstico é de exclusão, e a conduta inicial é sempre clínica, visando estabilizar o paciente e descompressão não invasiva.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ogilvie, ou pseudo-obstrução aguda do cólon, é uma condição caracterizada por uma dilatação maciça do cólon na ausência de obstrução mecânica. É mais comum em pacientes idosos, acamados, com múltiplas comorbidades, como doenças neurológicas (AVC), traumas, cirurgias recentes, infecções graves e distúrbios eletrolíticos. A fisiopatologia envolve uma disfunção autonômica, com desequilíbrio entre a inervação simpática e parassimpática do cólon, levando à atonia e dilatação. O diagnóstico da Síndrome de Ogilvie é de exclusão. A apresentação clínica típica inclui distensão abdominal progressiva, dor abdominal leve, e ausência de eliminação de flatos e fezes, sem náuseas ou vômitos proeminentes. Exames de imagem, como radiografias simples de abdome e, principalmente, a tomografia computadorizada, são essenciais para confirmar a dilatação colônica e, crucialmente, descartar uma obstrução mecânica verdadeira, que é o principal diagnóstico diferencial. A dilatação do ceco acima de 10-12 cm é um sinal de alerta para risco de perfuração. A conduta inicial é sempre conservadora e visa estabilizar o paciente. Isso inclui jejum, correção de distúrbios hidroeletrolíticos (como hipocalemia), passagem de sonda nasogástrica para descompressão gástrica, suspensão de medicamentos que diminuam a motilidade intestinal e tratamento de qualquer foco infeccioso subjacente. Se as medidas clínicas falharem e houver risco de perfuração (ceco > 10-12 cm), pode-se considerar o uso de neostigmina (um inibidor da acetilcolinesterase) ou descompressão colonoscópica. A cirurgia é reservada para casos de perfuração ou isquemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da Síndrome de Ogilvie?

Fatores de risco incluem idade avançada, imobilização prolongada, doenças neurológicas (AVC, lesão medular), cirurgias recentes (especialmente ortopédicas e cardíacas), trauma, infecções graves (sepse), distúrbios metabólicos (hipocalemia) e uso de certos medicamentos.

Qual o papel da tomografia de abdome no diagnóstico da Síndrome de Ogilvie?

A tomografia de abdome é crucial para confirmar a dilatação colônica (especialmente do ceco > 10-12 cm) e, mais importante, para excluir uma obstrução mecânica verdadeira, que é o principal diagnóstico diferencial.

Quando a descompressão colonoscópica é indicada na Síndrome de Ogilvie?

A descompressão colonoscópica é indicada quando as medidas clínicas conservadoras falham em reduzir a dilatação colônica, especialmente se o ceco atingir diâmetros críticos (> 10-12 cm) com risco de isquemia ou perfuração, ou após falha da neostigmina.

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