HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015
R.D.O é do sexo masculino, possui 35 anos e é funcionário que trabalha na limpeza do sistema prisional há 2 anos. Refere não apresentar doenças ou realizar algum tratamento medicamentoso. Em consulta de rotina com médico do trabalho apresentava-se assintomático, com raio-X de tórax sem alteração radiológica. A carteira de vacinação está completa, com vacina BCG administrada na infância. Entre os exames laboratoriais tinha hemograma, colesterol e glicemia dentro da normalidade, sendo observado resultado alterado apenas no exame de prova tuberculina (PT) cujo resultado era ''reator de 4 mm''. Sobre este paciente, assinale a alternativa que contém a afirmativa CORRETA:
PT 4mm em trabalhador prisional com BCG → realizar 2ª PT para avaliar efeito booster e confirmar ILTB.
Em um trabalhador do sistema prisional com BCG prévia e PT de 4mm (resultado borderline), a conduta correta é realizar uma segunda Prova Tuberculínica (PT) após 1 a 3 semanas. Isso visa identificar o 'efeito booster', onde uma infecção antiga ou vacinação BCG pode levar a uma primeira PT fracamente reatora, que se torna mais reativa na segunda testagem, confirmando a Infecção Latente por Tuberculose (ILTB).
A tuberculose (TB) continua sendo um grave problema de saúde pública, e a Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) representa um reservatório significativo para o desenvolvimento de casos ativos. O rastreamento de ILTB é particularmente importante em populações de alto risco, como trabalhadores do sistema prisional, devido à alta prevalência da doença nesses ambientes. A Prova Tuberculínica (PT), ou teste de Mantoux, é uma ferramenta essencial nesse rastreamento, mas sua interpretação exige conhecimento das nuances, especialmente em indivíduos vacinados com BCG. No caso de um trabalhador do sistema prisional com histórico de vacinação BCG e uma PT de 4mm, a interpretação não é direta. Embora a vacina BCG possa causar uma reação positiva à PT, essa reação geralmente diminui com o tempo. Uma reação de 4mm é considerada borderline e pode não ser suficiente para um diagnóstico definitivo de ILTB em um indivíduo com BCG. No entanto, a exposição ocupacional de alto risco não pode ser ignorada. É nesse contexto que o 'efeito booster' se torna relevante. O efeito booster ocorre quando uma primeira PT estimula a memória imunológica de uma infecção antiga ou vacinação BCG, levando a uma reação mais forte em uma segunda PT realizada 1 a 3 semanas depois. Portanto, a conduta correta é realizar uma segunda PT. Se a segunda PT apresentar um incremento significativo (geralmente ≥ 6mm em relação à primeira, ou atingindo um limiar de positividade como ≥ 10mm), isso confirma a ILTB e indica a necessidade de tratamento, após exclusão de TB ativa. O tratamento da ILTB é crucial para prevenir o desenvolvimento da tuberculose ativa e reduzir a cadeia de transmissão, especialmente em ambientes de alto risco como o sistema prisional.
Em um trabalhador do sistema prisional, que é uma população de alto risco, uma PT de 4mm é um resultado borderline. Embora geralmente se considere positivo a partir de 5mm ou 10mm (dependendo do risco e BCG), a presença de BCG e exposição ocupacional exige cautela. A conduta recomendada é realizar uma segunda PT para investigar o efeito booster.
O efeito booster é um fenômeno em que uma primeira PT em indivíduos com infecção tuberculosa antiga ou vacinação BCG pode ser fracamente reatora. Uma segunda PT, realizada 1 a 3 semanas depois, pode 'impulsionar' a resposta imune, resultando em uma reação maior e confirmando a Infecção Latente por Tuberculose (ILTB). É crucial em rastreamentos ocupacionais para evitar falso-negativos.
O tratamento para ILTB é indicado para trabalhadores do sistema prisional que apresentem uma PT ou IGRA (Interferon-Gamma Release Assay) positiva, após exclusão de tuberculose ativa. A positividade da PT é geralmente considerada a partir de 5mm para contatos e imunocomprometidos, ou 10mm para outros, mas em cenários de alto risco e com efeito booster, resultados menores podem ser considerados significativos.
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