MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Em um experimento de microbiologia avançada, um pesquisador analisa a resposta de duas linhagens bacterianas — Bacillus subtilis (Gram-positiva) e Escherichia coli (Gram-negativa) — à exposição à lisozima. O experimento é conduzido em uma solução de sacarose a 10% (meio osmoticamente estabilizado). Observa-se que a B. subtilis rapidamente assume uma forma esférica após a adição da enzima. No entanto, a E. coli mantém sua morfologia bacilar original, tornando-se esférica apenas após o pré-tratamento com EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), que desestabiliza a membrana externa. Ao final do processo, ambas as linhagens tornaram-se estruturas esféricas sensíveis ao choque osmótico, mas com constituições de envelope residual distintas. Com base na organização estrutural dessas bactérias, as formas esféricas resultantes de B. subtilis e E. coli são denominadas, respectivamente:
A lisozima é um componente vital da nossa imunidade inata, encontrada em altas concentrações nas lágrimas e na saliva. Ela é muito mais eficaz contra bactérias Gram-positivas do que Gram-negativas, justamente porque as Gram-negativas possuem a membrana externa que protege o peptideoglicano.
Protoplastos e esferoplastos são formas bacterianas desprovidas total ou parcialmente de sua parede celular, respectivamente. Sua compreensão é fundamental em microbiologia, especialmente para estudos de permeabilidade de membrana, biossíntese de parede e desenvolvimento de novos antibióticos. A distinção entre eles reside principalmente na constituição da parede celular original da bactéria. Bactérias Gram-positivas, como Bacillus subtilis, possuem uma parede celular espessa de peptidoglicano que é diretamente acessível à lisozima, resultando na formação de protoplastos. Já as Gram-negativas, como Escherichia coli, possuem uma membrana externa que protege a camada de peptidoglicano. O EDTA é necessário para desestabilizar essa membrana externa, permitindo que a lisozima atue e forme esferoplastos, que ainda retêm a membrana externa. Ambas as formas são osmoticamente frágeis e requerem um meio isotônico para sobreviver. A capacidade de induzir a formação de protoplastos e esferoplastos é uma ferramenta valiosa em pesquisa para estudar a função da parede celular e desenvolver estratégias antimicrobianas que visam essa estrutura essencial.
A sacarose cria um meio isotônico. Sem ela, a água entraria na célula por osmose assim que a parede fosse degradada, causando a explosão (lise) imediata da bactéria devido à alta pressão interna.
O EDTA sequestra íons de Magnésio e Cálcio que mantêm as cargas negativas do LPS unidas. Sem esses íons, a membrana externa torna-se 'frouxa' e permeável, permitindo a entrada da lisozima.
Sim. As 'Formas L' podem surgir durante tratamentos com antibióticos e são difíceis de tratar porque muitos remédios atacam justamente a parede que elas pararam de produzir temporariamente.
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