Atendimento Pré-Hospitalar no Trauma Grave: Protocolo XABCDE

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente masculino, 38 anos, com histórico de uso abusivo de álcool e cocaína, foi vítima de colisão de moto versus automóvel, sendo ejetado da motocicleta a cerca de 30 m a alta velocidade. Score de Glasgow 3, sangramento oral intenso, fratura exposta de fêmur direito distal com ferimento descolante e sangramento intenso no membro, múltiplas fraturas craniofaciais, além de sinais de choque hipovolêmico. Além das medidas de proteção da coluna para o transporte, das condutas iniciais abaixo, a mais apropriada no atendimento pré-hospitalar desse paciente é:

Alternativas

  1. A) Máscara laríngea + acesso intraósseo.
  2. B) Transfusão de plasma, hemácias e plaquetas.
  3. C) Infusão agressiva de cristalóide para estabilização volêmica.
  4. D) Imobilizar perna; máscara de oxigênio de alto fluxo.
  5. E) Torniquete + intubação orotraqueal + transporte rápido.

Pérola Clínica

Hemorragia exanguinante + GCS < 8 → Torniquete (X) + IOT (A) + Transporte imediato.

Resumo-Chave

No trauma grave, o controle de hemorragias externas maciças (X) precede a via aérea (A). Pacientes com Glasgow ≤ 8 necessitam de via aérea definitiva imediata.

Contexto Educacional

O atendimento ao trauma multissistêmico segue a lógica da prioridade vital. O paciente apresenta uma fratura exposta de fêmur com sangramento intenso, o que caracteriza uma emergência do 'X' (Exsanguinação). O uso do torniquete é a medida padrão-ouro para controle de hemorragias em extremidades que não cedem à compressão direta ou quando o cenário exige rapidez. A sequência prossegue para o 'A' (Airway), onde o rebaixamento do nível de consciência (GCS 3) e o trauma facial impõem a necessidade de intubação orotraqueal para evitar aspiração e garantir ventilação. O conceito de 'Scoop and Run' (pegar e correr) é vital aqui: intervenções críticas são feitas no local, mas o tempo de cena deve ser minimizado para que o paciente receba tratamento definitivo (cirurgia e hemoterapia) no hospital.

Perguntas Frequentes

Por que o 'X' vem antes do 'A' no protocolo de trauma?

A mudança do ABCDE para XABCDE (adotada pelo PHTLS 9ª edição) reflete a evidência de que a hemorragia externa exanguinante é a causa de morte evitável mais rápida no trauma. Um paciente pode morrer por choque hipovolêmico em poucos minutos, antes mesmo de sofrer danos irreversíveis por hipóxia. Portanto, o controle imediato de sangramentos arteriais em membros (com torniquete) ou em áreas de junção deve ser a primeira ação do socorrista.

Quais as indicações de via aérea definitiva no pré-hospitalar?

As principais indicações incluem: Escala de Coma de Glasgow ≤ 8 (incapacidade de proteger via aérea), obstrução mecânica da via aérea (sangue, vômito, trauma maxilofacial grave), insuficiência respiratória grave ou necessidade de ventilação assistida que não pode ser mantida por métodos básicos. No caso descrito, o paciente apresenta GCS 3 e sangramento oral intenso, tornando a intubação orotraqueal mandatória para proteção pulmonar e oxigenação adequada.

Qual o papel da reposição volêmica no atendimento pré-hospitalar?

A tendência atual é a 'hipotensão permissiva' e a limitação do uso de cristaloides. Infusões agressivas de soro fisiológico ou Ringer lactato podem piorar o sangramento ao diluir fatores de coagulação e deslocar coágulos formados (pelo aumento da pressão arterial). O foco no APH deve ser o controle do sangramento (X) e o transporte rápido para um centro onde a ressuscitação hemostática (sangue e derivados) possa ser realizada.

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