CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Um homem de 28 anos é trazido ao pronto-socorro após ferimento penetrante por arma branca na face medial da coxa direita durante assalto. Ele chega carregado por terceiros, sem imobilização, visivelmente pálido e agitado. Na admissão, apresenta com pele fria e pegajosa, FC 148 bpm, P.A. não mensurável no braço direito; 70x40 mmHg no braço esquerdo, tempo de enchimento capilar > 4 segundos, FR 32 irpm e SpO₂ 90% em ar ambiente. O ferimento apresenta sangramento pulsátil ativo, encharcando roupas e macas. O paciente está consciente, porém confuso e sonolento, repetindo que “não consegue respirar direito”. A equipe de plantão prepara material para intubação orotraqueal imediata, considerando a taquipneia e a instabilidade hemodinâmica. Sobre o caso descrito, qual deve ser a próxima conduta?
Hemorragia externa grave → Prioridade 'X' (Exsanguinação) → Torniquete ou compressão imediata.
No trauma moderno, o controle de hemorragias externas graves (X) precede a abordagem das vias aéreas (A) para evitar o choque irreversível e a tríade da morte.
A evolução do atendimento ao trauma consolidou o protocolo XABCDE. O caso descreve um paciente em choque classe IV (FC > 140, PA reduzida, confusão mental) devido a um ferimento arterial femoral. Nestas circunstâncias, a perda volêmica é tão acelerada que qualquer atraso no controle mecânico do sangramento resulta em óbito. O uso do torniquete, outrora controverso, é hoje amplamente recomendado para lesões de extremidades com sangramento incontrolável. A abordagem deve ser agressiva: primeiro o 'X' (torniquete), seguido pela avaliação da via aérea e ventilação, e então a reposição volêmica criteriosa, preferencialmente com hemoderivados.
O 'X' refere-se à Exsanguinação, ou seja, hemorragias externas graves e pulsáteis. Ele foi adicionado antes do 'A' (vias aéreas) porque um paciente pode morrer de choque hemorrágico mais rápido do que por obstrução de via aérea ou hipóxia.
O torniquete é indicado em hemorragias graves de extremidades que não respondem à pressão direta ou quando a compressão manual é ineficaz ou impossível devido ao cenário (ex: múltiplas vítimas, instabilidade hemodinâmica grave, ferimento arterial profundo).
A intubação orotraqueal com pressão positiva pode reduzir o retorno venoso e agravar criticamente o choque em um paciente hipovolêmico. A prioridade absoluta é interromper a perda de volume circulante para manter a perfusão orgânica mínima antes de qualquer outra intervenção.
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