FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Um homem de 41 anos, vítima de ferimento por arma branca em região cervical direita e hemitórax esquerdo, é atendido em uma Unidade Primária de Atendimento de Emergência, com sinais clínicos sugestivos de choque hemorrágico. Após iniciar reposição volêmica com Ringer Lactato e infusão de 1,0 grama de Ácido Tranexâmico, iniciou a transferência a um Hospital Quaternário, Nível I de Trauma. Na chegada a este Hospital de Trauma, durante a avaliação inicial, o médico assistente evidencia Shock Index de 1,2 e ABC score de 3 pontos. Neste momento, com relação ao tratamento do choque hemorrágico, a conduta deveria iniciar a ressuscitação hemodinâmica com:
ABC score ≥ 2 ou Shock Index > 1 → Ativar Protocolo de Transfusão Maciça (Hemácias + Plasma + Plaquetas).
A ressuscitação hemostática moderna prioriza a reposição equilibrada de componentes sanguíneos (1:1:1) em vez de grandes volumes de cristaloides.
O tratamento do choque hemorrágico no trauma evoluiu da reposição volêmica agressiva com cristaloides para a 'ressuscitação de controle de danos'. O objetivo é evitar a tríade letal (acidose, hipotermia e coagulopatia). O uso precoce de hemoderivados em proporções balanceadas mimetiza o sangue total e previne a coagulopatia dilucional. O ABC score e o Shock Index são ferramentas rápidas à beira do leito que permitem ao médico antecipar a necessidade de recursos hemoterápicos complexos antes mesmo dos resultados laboratoriais.
A necessidade é definida clinicamente por escores como o ABC Score (Assessment of Blood Consumption), que avalia: mecanismo penetrante, PA sistólica < 90 mmHg, FC > 120 bpm e FAST positivo. Um score ≥ 2 indica alta probabilidade de necessidade de transfusão maciça. O Shock Index (FC/PAS) > 1 também é um forte preditor.
A estratégia atual foca na reposição de Concentrado de Hemáceas, Plasma Fresco Congelado e Plaquetas em proporções fixas (geralmente 1:1:1). O uso de Crioprecipitado também é fundamental para repor fibrinogênio, que é o primeiro fator de coagulação a atingir níveis críticos no trauma hemorrágico.
O Ácido Tranexâmico (TXA) deve ser administrado o mais precocemente possível (idealmente na primeira hora e no máximo até 3 horas do trauma) em pacientes com sangramento significativo ou risco de choque. Ele atua inibindo a fibrinólise, reduzindo a mortalidade por sangramento sem aumentar eventos tromboembólicos significativos.
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