Protocolo RUSH no Manejo do Choque Cardiogênico Agudo

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Afonso, 72 anos, hipertenso e com diagnóstico prévio de insuficiência cardíaca de etiologia isquêmica (fração de ejeção de 32%), é admitido no setor de emergência com quadro de confusão mental súbita e desconforto respiratório iniciado há 2 horas. Ao exame físico inicial, apresenta-se em regular estado geral, desorientado, com pressão arterial de 78/44 mmHg, frequência cardíaca de 122 bpm, frequência respiratória de 28 irpm e temperatura axilar de 37,9 °C. A ausculta pulmonar revela estertores crepitantes em bases e terços médios bilateralmente, e a inspeção cervical demonstra turgência jugular patológica a 45 graus. As extremidades estão frias, com cianose de extremidades e tempo de enchimento capilar prolongado (6 segundos). Considerando a instabilidade hemodinâmica e a necessidade de identificação rápida da etiologia do choque para guiar a terapia imediata, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Efetuar intubação orotraqueal imediata e iniciar infusão de Nitroprussiato de Sódio para redução da pós-carga.
  2. B) Administrar bôlus de 500 mL de solução salina 0,9% e realizar a manobra de elevação passiva das pernas.
  3. C) Realizar ultrassonografia point-of-care (POCUS) utilizando o protocolo RUSH (Rapid Ultrasound for Shock and Hypotension).
  4. D) Iniciar precocemente o protocolo de sepse com coleta de culturas e infusão de 30 mL/kg de cristaloide isotônico.

Pérola Clínica

Choque + Turgência Jugular + Estertores → Cardiogênico; POCUS (RUSH) é o padrão-ouro para diagnóstico rápido.

Resumo-Chave

No choque indiferenciado com sinais de congestão e baixo débito, o protocolo RUSH permite identificar rapidamente a etiologia (bomba, tanque ou canos) sem atrasar intervenções críticas.

Contexto Educacional

O choque cardiogênico é uma emergência médica caracterizada pela falência da bomba cardíaca, resultando em hipoperfusão tecidual. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos (hipotensão, extremidades frias, oligúria) e evidências de congestão sistêmica ou pulmonar. O uso do POCUS revolucionou o atendimento inicial, permitindo uma abordagem direcionada e rápida. No cenário de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, a identificação de gatilhos (isquemia, arritmias) é fundamental, mas a estabilização inicial exige precisão no manejo de fluidos e inotrópicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes do protocolo RUSH?

O protocolo RUSH avalia três pilares: a 'Bomba' (função cardíaca e derrame pericárdico), o 'Tanque' (volume intravascular via veia cava inferior e pesquisa de líquido livre/FAST) e os 'Canos' (aneurisma de aorta e TVP). No caso do choque cardiogênico, foca-se na contratilidade miocárdica reduzida e na ausência de colapsabilidade da VCI.

Por que não iniciar Nitroprussiato neste paciente?

O paciente apresenta hipotensão grave (PAS < 90 mmHg). Vasodilatadores como o nitroprussiato de sódio são contraindicados na instabilidade hemodinâmica, pois reduzem a pressão de perfusão coronariana, podendo agravar a isquemia e o choque.

Quando o POCUS é superior ao exame físico no choque?

Embora o exame físico sugira a etiologia, o POCUS oferece confirmação visual imediata da função ventricular, presença de congestão pulmonar (linhas B) e status volêmico, sendo mais sensível e específico para diferenciar choque obstrutivo de cardiogênico.

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