PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025
Lactente do sexo feminino, 10 meses, 9 kg, sofreu queda de aproximadamente 60 cm da cama enquanto dormia. Foi levado à emergência com relato de choro intenso após a queda e 1 episódio de vômito. Os pais negaram perda de consciência ou outras queixas. Ao exame, observa-se hematoma frontal. Diante desse cenário, a realização de tomografia de crânio:
TCE leve em lactente sem sinais de alto risco (PECARN) → observação clínica é a conduta inicial, TC de crânio não é rotina.
O protocolo PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) é amplamente utilizado para guiar a decisão de realizar tomografia de crânio em crianças com TCE. Neste caso, a criança tem menos de 2 anos, mas não apresenta critérios de alto risco para lesão cerebral clinicamente importante (GCS < 15, fratura de crânio palpável, alteração do estado mental, sinais de fratura de base de crânio, convulsão). O vômito isolado e o hematoma frontal sem outros sinais não são indicações absolutas para TC imediata, permitindo um período de observação.
O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das causas mais comuns de atendimento em emergências pediátricas. A decisão de realizar uma tomografia de crânio (TC) em crianças com TCE leve é complexa, pois envolve o equilíbrio entre identificar lesões graves e evitar a exposição desnecessária à radiação ionizante, que tem riscos cumulativos a longo prazo. Para auxiliar nessa decisão, foram desenvolvidos protocolos como o PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network), que estratificam o risco de lesão cerebral clinicamente importante. Para crianças menores de 2 anos, o PECARN considera critérios de alto risco como Glasgow Coma Scale (GCS) < 15, fratura de crânio palpável, alteração do estado mental (letargia, agitação), sinais de fratura de base de crânio (hematoma periorbital, sinal de Battle, otorreia/rinorreia de LCR) ou convulsão pós-traumática. Fatores de risco intermediário incluem vômito (mais de um episódio), cefaleia grave, mecanismo de trauma de alto risco (ex: queda > 90 cm) e comportamento anormal dos pais. No caso apresentado, a criança de 10 meses sofreu uma queda de 60 cm (não é considerado alto risco pelo PECARN para < 2 anos, que é > 90 cm), teve um episódio de vômito e hematoma frontal, mas negou perda de consciência e não apresenta outros sinais de alto risco. Conforme o PECARN, um único episódio de vômito e um hematoma frontal isolado, na ausência de outros sinais de alerta, não indicam a necessidade imediata de TC de crânio. Nesses casos, a observação clínica por 4-6 horas é a conduta recomendada, com reavaliação e TC apenas se houver piora ou surgimento de novos sintomas.
Os critérios de alto risco incluem: GCS < 15, fratura de crânio palpável, alteração do estado mental, sinais de fratura de base de crânio e convulsão pós-traumática. Vômito e hematoma frontal são fatores de risco intermediário.
A observação é preferível em crianças com TCE leve que não apresentam critérios de alto risco pelo PECARN, mesmo com alguns fatores de risco intermediário, para evitar a exposição desnecessária à radiação.
O PECARN é uma ferramenta validada que ajuda a estratificar o risco de lesão cerebral clinicamente importante, reduzindo o número de tomografias de crânio desnecessárias e a exposição à radiação, sem comprometer a segurança do paciente.
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