HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2022
Paciente do sexo feminino, 70 anos, internada devido a pneumonia por COVID-19, foi entubada, evoluiu com PCR em AESP, e foi reanimada por 04 ciclos. Apresentou retorno à circulação espontânea. Vinte horas depois, todavia, exibiu o seguinte exame: PA 110 x 70 mmHg, frequência cardíaca = 100 bpm, frequência respiratória = 18 irpm, temperatura esofagiana 37°C, SpO₂ 95%, coma aperceptivo com escala de coma de Glasgow = 3 pontos. Exames complementares: sódio = 150 mEq/L, potássio = 5 mEq/L. Você é questionado a respeito de abertura de protocolo de morte encefálica, assinale a resposta correta:
Após PCR e RCE, aguardar 24h de observação para iniciar protocolo de morte encefálica.
O protocolo de morte encefálica exige um período de observação mínimo após eventos agudos que possam mimetizar ou confundir o diagnóstico, como parada cardiorrespiratória, hipotermia ou uso de sedativos, para garantir a irreversibilidade do quadro neurológico.
O diagnóstico de morte encefálica (ME) é um tema de extrema importância e complexidade na medicina intensiva, com implicações éticas, legais e sociais significativas. A correta aplicação do protocolo de ME é fundamental para garantir a precisão do diagnóstico e a segurança do paciente e da equipe médica, especialmente em contextos de doação de órgãos. A legislação brasileira, através da Resolução CFM nº 2.173/2017, estabelece critérios rigorosos para a sua determinação. Entre os critérios, destacam-se a presença de coma aperceptivo (Glasgow 3), ausência de reflexos de tronco encefálico e apneia. Contudo, é crucial que condições confundidoras, como hipotermia, hipotensão grave, distúrbios metabólicos e intoxicação por sedativos, sejam excluídas ou corrigidas. Além disso, um período de observação é mandatório após eventos agudos que possam mimetizar a ME, como a parada cardiorrespiratória com retorno à circulação espontânea, onde se exige um mínimo de 24 horas de observação para assegurar a irreversibilidade do dano cerebral. O protocolo de ME envolve a realização de dois exames clínicos por médicos diferentes, com intervalo mínimo entre eles, e dois exames complementares que comprovem a ausência de atividade encefálica. A notificação da ME é compulsória e deve ser feita aos órgãos competentes, como as Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), para fins de doação. A compreensão aprofundada desses passos é vital para residentes e médicos intensivistas.
Condições como hipotermia (<35°C), hipotensão grave, uso de sedativos ou bloqueadores neuromusculares, e distúrbios metabólicos graves (ex: hiponatremia/hipernatremia, hipoglicemia) devem ser corrigidas antes de iniciar o protocolo.
Após uma parada cardiorrespiratória com retorno à circulação espontânea, é necessário um período de observação de no mínimo 24 horas antes de iniciar o protocolo de morte encefálica.
Sim, são necessários dois exames complementares que demonstrem ausência de fluxo sanguíneo cerebral ou ausência de atividade elétrica ou metabólica cerebral, conforme a legislação vigente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo