SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Em 1990, foi descrito um protocolo (em inglês ERAS) para tornar o pós-operatório de cirurgia colorretal mais rápido (e, com isso, menor tempo de hospitalização) associado a menos complicações pós-operatórias. NÃO faz parte desse protocolo:
ERAS = Jejum abreviado + Dieta precoce + Hidratação restritiva + Sem drenos/SNG de rotina.
O protocolo ERAS visa reduzir o estresse cirúrgico e acelerar a recuperação através da abolição de condutas tradicionais sem evidência, como o uso rotineiro de drenos e SNG.
O protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), adaptado no Brasil como projeto ACERTO, revolucionou a cirurgia moderna ao questionar dogmas seculares. A evidência demonstra que a manutenção de sondas nasogástricas e drenos de forma rotineira não previne deiscências e aumenta a morbidade respiratória e o desconforto do paciente. A mobilização precoce e a realimentação nas primeiras 24 horas são fundamentais para reduzir a resistência insulínica pós-operatória e preservar a massa magra. A implementação bem-sucedida exige uma equipe multidisciplinar focada na redução da resposta metabólica ao trauma, garantindo que o paciente retorne às suas funções fisiológicas básicas no menor tempo possível, com segurança e menos complicações.
No pré-operatório, o ERAS preconiza a educação do paciente sobre o procedimento, a abreviação do jejum (permitindo líquidos claros com carboidratos até 2h antes da cirurgia), a não realização de preparo mecânico de cólon de rotina e a otimização nutricional. Também é fundamental incentivar a cessação de tabagismo e álcool pelo menos 4 semanas antes do procedimento para reduzir riscos de deiscências e infecções.
O manejo de fluidos deve ser 'metas-guiado' ou restritivo, visando manter a euvolemia e evitar a sobrecarga hídrica. A hiper-hidratação tradicional é deletéria, pois causa edema de alça intestinal, retarda o retorno do peristaltismo (íleo prolongado) e prejudica a cicatrização de anastomoses. O objetivo é que o paciente não ganhe peso excessivo no perioperatório e retorne à hidratação oral o mais rápido possível.
O uso de opioides está associado a diversos efeitos colaterais que retardam a recuperação, como náuseas e vômitos pós-operatórios (NVPO), sedação excessiva e, principalmente, a inibição da motilidade intestinal (íleo paralítico). O ERAS recomenda analgesia multimodal, utilizando anti-inflamatórios, paracetamol e bloqueios regionais ou peridurais para minimizar ou eliminar a necessidade de opioides sistêmicos.
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