Protocolo ERAS: Realimentação Precoce em Cirurgia Colorretal

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Os protocolos de recuperação acelerada, após cirurgias, reúnem recomendações para estabelecer rotinas de cuidados visando à recuperação e à alta hospitalar mais breves do paciente. Uma fase crítica nesse processo é o momento de realimentar um paciente no pósoperatório. Em relação à realimentação (oral/enteral) após cirurgias colorretais com anastomose primária, assinale a alternativa mais correta:

Alternativas

  1. A) Quando foi realizada uma anastomose colorretal extraperitoneal e baixa, a realimentação oral precoce é contraindicada.
  2. B) É seguro ofertar a alimentação oral tão logo o paciente esteja acordado e consciente já com quatro horas do término da cirurgia.
  3. C) Deve-se aguardar pelo menos 48 horas para a realimentação oral em virtude do risco de deiscência da anastomose intestinal.
  4. D) O uso de preparo mecânico intestinal reduz a incidência de deiscências de anastomose e possibilita a realimentação mais segura.

Pérola Clínica

ERAS → Realimentação oral precoce (4-6h pós-op) é segura e reduz tempo de internação.

Resumo-Chave

A realimentação precoce em cirurgias colorretais estimula a motilidade intestinal, reduz a resposta ao estresse metabólico e não aumenta o risco de deiscência de anastomose.

Contexto Educacional

Os protocolos de recuperação acelerada, como o ERAS e o ACERTO no Brasil, revolucionaram o cuidado perioperatório ao questionar dogmas tradicionais. A realimentação precoce é um dos pilares mais robustos, baseada na premissa de que o trato gastrointestinal mantém sua capacidade absortiva mesmo após manipulação cirúrgica. A introdução de líquidos claros ou dieta leve poucas horas após o procedimento, desde que o paciente esteja consciente e estável, acelera o retorno da função intestinal e melhora o balanço nitrogenado. Além da nutrição, esses protocolos enfatizam a importância da analgesia sem opioides para evitar o íleo e a mobilização ativa do paciente. A implementação dessas rotinas exige uma equipe multidisciplinar alinhada, garantindo que a alta hospitalar ocorra de forma segura e precoce, sem comprometer a integridade das anastomoses intestinais.

Perguntas Frequentes

Por que a realimentação precoce é segura em anastomoses colorretais?

Estudos demonstram que a oferta de dieta oral precoce (em até 24 horas, frequentemente em 4-6 horas) não aumenta a incidência de deiscência de anastomose ou complicações infecciosas. Pelo contrário, ela reduz a resistência insulínica, mantém a integridade da barreira mucosa intestinal e estimula o peristaltismo, combatendo o íleo paralítico pós-operatório. A segurança reside na seleção adequada do paciente e na técnica cirúrgica, não no tempo de jejum. A prática de manter o paciente em jejum prolongado até o retorno dos ruídos hidroaéreos é considerada obsoleta nos protocolos modernos de recuperação acelerada.

O preparo mecânico do cólon é obrigatório para realimentação segura?

Não. Atualmente, as evidências sugerem que o preparo mecânico anterógrado de rotina não reduz as taxas de deiscência em cirurgias colorretais eletivas e pode causar desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos. O protocolo ERAS frequentemente recomenda evitar o preparo mecânico ou utilizá-lo de forma seletiva, desmistificando a ideia de que um cólon 'limpo' é pré-requisito para o sucesso da anastomose ou da dieta precoce. O uso de antibióticos orais associados ao preparo é uma discussão atual, mas o preparo mecânico isolado não oferece proteção adicional contra deiscências.

Quais os benefícios do protocolo ERAS além da nutrição?

O ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) ou ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória) foca na redução do estresse cirúrgico. Além da nutrição precoce, inclui abreviação do jejum pré-operatório com carboidratos, restrição de fluidos intravenosos para evitar edema de alça, deambulação precoce e analgesia multimodal poupadora de opioides. Essas medidas resultam em menor tempo de internação, redução de complicações pulmonares e infecciosas, e menores custos hospitalares, permitindo que o paciente retorne às suas atividades habituais de forma muito mais célere do que nos protocolos cirúrgicos tradicionais.

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