Protocolo ERAS: Pilares da Recuperação Pós-Operatória

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

O protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) consiste em utilizar medidas para acelerar e melhorar a recuperação no pósoperatório. Pode-se afirmar que uma das medidas incluídas nesse protocolo é:

Alternativas

  1. A) Manter cateter nasogástrico por 48 horas após o procedimento.
  2. B) Uso de opioide com objetivo de melhorar o controle álgico no pósoperatório.
  3. C) Evitar anestesia peridural e bloqueio do plano transverso abdominal.
  4. D) Fluidoterapia guiada por metas durante o procedimento cirúrgico.

Pérola Clínica

Protocolo ERAS = Jejum abreviado + analgesia sem opioides + deambulação precoce + fluidoterapia por metas.

Resumo-Chave

O ERAS visa reduzir o estresse cirúrgico e manter a homeostase. A fluidoterapia guiada por metas evita tanto a hipovolemia quanto a sobrecarga hídrica, otimizando a perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) representa uma mudança de paradigma na cirurgia moderna, baseando-se em evidências científicas para otimizar o cuidado perioperatório. Ele abrange medidas no pré, intra e pós-operatório, focando na redução da resposta endócrino-metabólica ao trauma cirúrgico. No Brasil, o projeto ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória) é a principal referência adaptada. As intervenções incluem o abandono do uso rotineiro de drenos e sondas nasogástricas, o incentivo à mobilização ultraprecoce e a realimentação no mesmo dia da cirurgia. Essas práticas não apenas reduzem o tempo de internação hospitalar, mas também diminuem significativamente as taxas de complicações infecciosas e os custos hospitalares, sem aumentar as taxas de readmissão.

Perguntas Frequentes

O que é a fluidoterapia guiada por metas (GDFT) no ERAS?

A fluidoterapia guiada por metas (GDFT) é uma estratégia intraoperatória que utiliza parâmetros hemodinâmicos dinâmicos (como volume sistólico, variação da pressão de pulso ou débito cardíaco) em vez de parâmetros estáticos (como pressão venosa central ou pressão arterial média) para guiar a administração de fluidos. O objetivo é manter o paciente no topo da curva de Frank-Starling, garantindo uma perfusão tecidual adequada sem causar sobrecarga hídrica. A sobrecarga de cristaloides está associada a edema de alça intestinal, deiscência de anastomoses e complicações pulmonares, enquanto a hipovolemia causa hipoperfusão orgânica. A GDFT personaliza a oferta de volume conforme a necessidade real do paciente durante o estresse cirúrgico.

Por que o protocolo ERAS recomenda evitar o uso rotineiro de opioides?

O protocolo ERAS preconiza a analgesia multimodal, priorizando o uso de anti-inflamatórios, paracetamol, bloqueios regionais (como peridural ou TAP block) e infiltração local. O objetivo é minimizar ou evitar o uso de opioides sistêmicos devido aos seus efeitos adversos significativos no pós-operatório, conhecidos como 'opioid-related adverse events' (ORAEs). Os opioides retardam o esvaziamento gástrico e a motilidade intestinal (causando íleo paralítico), provocam náuseas e vômitos, podem causar depressão respiratória e sedação excessiva, o que dificulta a deambulação precoce e a realimentação oral, pilares fundamentais para a alta hospitalar precoce e segura.

Quais são as recomendações do ERAS sobre o jejum pré-operatório?

O protocolo ERAS rompe com o dogma do 'jejum após a meia-noite'. As evidências atuais mostram que o jejum prolongado aumenta a resistência insulínica, o estresse metabólico e o desconforto do paciente. A recomendação atual é permitir a ingestão de líquidos claros (água, chás, sucos sem resíduos) até 2 horas antes da indução anestésica e sólidos leves até 6 horas. Além disso, a oferta de uma bebida rica em carboidratos (maltodextrina a 12,5%) 2 a 3 horas antes da cirurgia ajuda a manter o estado anabólico, reduz a sede e a ansiedade, e melhora a sensibilidade à insulina no pós-operatório, acelerando a recuperação da função intestinal.

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