PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Paciente de 35 anos, vítima de trauma moto-auto é admitido na sala de politrauma do Hospital Universitário Cajuru. O paciente encontra-se torporoso na admissão, respondendo com ruídos incompreensíveis, sem abertura ocular mesmo ao estímulo doloroso e postura em flexão dos membros superiores ao estímulo doloroso e suas pupilas estão anisocóricas. Na ausculta pulmonar, o murmúrio vesicular é ausente a e a percussão tem som timpânico deste mesmo lado, sem alterações do lado direito, suas jugulares apresentam turgência importante. Sua pressão arterial é de 70x30 mmHg, sua frequência cardíaca é de 110bpm.Sobre a abordagem inicial desse paciente, qual é a sua prioridade?\n
GCS ≤ 8 no trauma → Prioridade A (Via Aérea Definitiva + Proteção Cervical).
No atendimento ao politraumatizado, a sequência do ABCDE é rígida. Pacientes com rebaixamento do nível de consciência (GCS ≤ 8) necessitam de proteção imediata da via aérea (A) antes de prosseguir para a avaliação da ventilação (B).
O cenário clínico descreve um paciente em estado crítico após trauma de alta energia, apresentando sinais de duas condições fatais: Trauma Cranioencefálico (TCE) grave com sinais de herniação (anisocoria e Glasgow 6) e Pneumotórax Hipertensivo (hipotensão, turgência jugular e hipertimpanismo). A abordagem deve seguir rigorosamente o ABCDE do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A prioridade 'A' foca na perviedade da via aérea e restrição da movimentação cervical. O rebaixamento do nível de consciência impede a proteção natural da via aérea, tornando a intubação mandatória. A anisocoria sugere hipertensão intracraniana grave, reforçando a necessidade de estabilização ventilatória para evitar lesões secundárias. Somente após garantir o 'A', o examinador deve realizar a descompressão do pneumotórax no 'B'. Este caso ilustra a importância de não se distrair com achados exuberantes (como o pneumotórax) antes de assegurar a base da pirâmide de sobrevivência do trauma.
No protocolo ABCDE do ATLS, a manutenção da via aérea com proteção da coluna cervical (A) precede a ventilação e respiração (B). No caso descrito, o paciente apresenta um escore na Escala de Coma de Glasgow de 6 (E1, V2, M3), o que define um trauma cranioencefálico grave e indica a necessidade imediata de via aérea definitiva para prevenir aspiração e garantir oxigenação cerebral adequada. Embora o pneumotórax hipertensivo seja uma emergência com risco de vida imediato tratada no passo B, a falha em garantir o 'A' compromete todas as etapas subsequentes. Na prática, em equipes treinadas, as intervenções podem ocorrer quase simultaneamente, mas a hierarquia teórica estabelece a via aérea como a prioridade absoluta.
O cálculo da Escala de Coma de Glasgow (GCS) baseia-se em três parâmetros: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. No enunciado: 1) Sem abertura ocular mesmo ao estímulo doloroso = 1 ponto; 2) Responde com ruídos incompreensíveis = 2 pontos; 3) Postura em flexão dos membros superiores ao estímulo doloroso (decorticação) = 3 pontos. Somando os pontos (1+2+3), obtemos um GCS de 6. De acordo com as diretrizes do ATLS, qualquer paciente com trauma cranioencefálico e GCS menor ou igual a 8 tem indicação de obtenção de via aérea definitiva (geralmente intubação orotraqueal) para proteção contra broncoaspiração e controle da ventilação.
O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico e não deve aguardar exames de imagem. Os sinais clássicos incluem: dor torácica, dispneia grave, taquicardia, hipotensão (choque obstrutivo), desvio da traqueia para o lado oposto (sinal tardio), ausência ou diminuição importante do murmúrio vesicular unilateral, hipertimpanismo à percussão no lado afetado e turgência jugular (devido à compressão das estruturas mediastinais e redução do retorno venoso). O tratamento imediato é a descompressão torácica por agulha (toracocentese de alívio) no 5º espaço intercostal, linha axilar média (em adultos), seguida obrigatoriamente por drenagem torácica em selo d'água.
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