Prostatite Aguda: Diagnóstico Clínico e Conduta Terapêutica

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 45 anos, casado com esposa de 32 anos, sem filhos e com desejo de paternidade, procura o urologista com dificuldade miccional aguda. O quadro iniciou-se há 10 dias com disúria, polaciúria e esforço miccional, além de dor pélvica e picos subfebris. Traz exame de USG que evidencia uma próstata de 38 g, índice de protusão prostático de 4 mm, espessura vesical de 2 mm, resíduo pós-miccional de 90 mL e rins normais. Ao exame físico encontra-se em bom estado geral e com próstata de 40 g ao toque, amolecida e dolorosa, sem nódulos. Para esse paciente, qual a principal hipótese diagnóstica e o tratamento recomendado?

Alternativas

  1. A) Hiperplasia prostática benigna e ressecção transuretral de próstata.
  2. B) Hiperplasia prostática benigna e tansulosina via oral.
  3. C) Prostatite aguda e antibioticoterapia via oral por 21 dias
  4. D) Infecção urinária tipo cistite e antibioticoterapia via oral por 5 dias.

Pérola Clínica

Próstata dolorosa ao toque + febre + sintomas irritativos → Prostatite Aguda.

Resumo-Chave

A prostatite aguda manifesta-se com sintomas miccionais obstrutivos e irritativos agudos, associados a dor pélvica e próstata extremamente sensível ao toque retal.

Contexto Educacional

A prostatite bacteriana aguda é uma emergência urológica relativa que exige diagnóstico clínico rápido. Diferente da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), que é um processo crônico e indolor, a prostatite apresenta-se com início súbito de sintomas miccionais e dor perineal ou pélvica. O exame físico é o pilar diagnóstico, onde o toque retal revela uma glândula sensível. O manejo envolve o uso de antibióticos com boa penetração prostática, como as quinolonas (Ciprofloxacino ou Levofloxacino) ou sulfametoxazol-trimetoprima. A duração do tratamento é um ponto frequente em provas, sendo necessário o curso longo para evitar recidivas. Complicações como abscesso prostático devem ser suspeitadas se não houver melhora clínica após 48 horas de antibioticoterapia adequada.

Perguntas Frequentes

Qual o principal agente etiológico da prostatite aguda?

A maioria dos casos de prostatite bacteriana aguda é causada por bacilos gram-negativos entéricos, sendo a Escherichia coli o patógeno mais comum, responsável por até 80% das infecções. Outros patógenos incluem Klebsiella, Proteus e Pseudomonas. Em homens jovens sexualmente ativos, deve-se considerar também Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis como possíveis agentes causadores.

Por que o tratamento da prostatite deve ser prolongado?

O tratamento da prostatite bacteriana aguda geralmente dura de 2 a 4 semanas (frequentemente 21 a 28 dias). Isso ocorre porque a penetração de antibióticos no tecido prostático inflamado é desafiadora. Embora a inflamação aguda facilite inicialmente a entrada da droga, a manutenção de níveis terapêuticos por tempo prolongado é necessária para garantir a erradicação bacteriana completa e prevenir a progressão para prostatite crônica ou formação de abscessos.

O toque retal é contraindicado na suspeita de prostatite?

O toque retal não é contraindicado, mas deve ser realizado de forma extremamente suave. Ele é fundamental para o diagnóstico, revelando uma próstata edemaciada, quente e muito dolorosa. No entanto, a massagem prostática vigorosa é estritamente contraindicada na fase aguda, pois pode precipitar bacteremia e sepse por translocação bacteriana para a corrente sanguínea.

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