FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 4 anos, é trazido ao pronto-socorro por quadro de febre de 39 °C há 1 dia e dor de garganta importante, sem sintomas respiratórios. O paciente recebeu ibuprofeno na triagem. Evolui em 30 minutos para edema ocular, coceira pelo corpo e tosse. Após 15 minutos, apresentava, ao exame clínico, além de lesões urticariformes pelo tronco, desconforto respiratório e queda de PA para 65 x 45 mmHg. A primeira conduta em relação ao caso é administrar:
Anafilaxia (comprometimento respiratório/circulatório) → Adrenalina IM 0,01 mg/kg (vasto lateral) IMEDIATA.
A adrenalina intramuscular é a droga de escolha e deve ser administrada imediatamente na suspeita de anafilaxia, antes de qualquer outra medicação.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, potencialmente fatal, caracterizada pela liberação maciça de mediadores de mastócitos e basófilos. Em pediatria, gatilhos comuns incluem alimentos, venenos de insetos e medicamentos (como o ibuprofeno citado no caso). O reconhecimento precoce é vital, pois a morte por anafilaxia geralmente ocorre por obstrução das vias aéreas ou colapso circulatório em poucos minutos. O tratamento deve seguir a sequência ABCDE, mas a administração de adrenalina não deve ser postergada. Após a estabilização inicial, o paciente deve permanecer em observação hospitalar por pelo menos 6 a 24 horas devido ao risco de reações bifásicas. O treinamento da equipe e a disponibilidade de protocolos claros são determinantes para o prognóstico.
A dose recomendada é de 0,01 mg/kg de adrenalina milesimal (1:1000), com dose máxima de 0,3 mg em crianças e 0,5 mg em adolescentes/adultos. A via preferencial é a intramuscular (IM) no vasto lateral da coxa, devido à absorção mais rápida e segura em comparação com a via subcutânea ou endovenosa (esta última reservada para ambiente de UTI/emergência sob monitorização).
O diagnóstico é clínico e deve ser suspeitado quando há início agudo de sintomas cutâneo-mucosos (urticária, angioedema) associados a pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório (dispneia, sibilância, estridor) ou comprometimento circulatório (hipotensão, síncope, hipotonia). Em casos de exposição a alérgeno conhecido, a queda isolada da pressão arterial também define o quadro.
Eles são medicações de segunda linha. Os anti-histamínicos ajudam no controle dos sintomas cutâneos (prurido e urticária), enquanto os corticoides (como metilprednisolona) são usados para prevenir reações bifásicas (recorrência dos sintomas após 4-8 horas). Nenhuma dessas drogas substitui a adrenalina, pois não agem de forma imediata na estabilização hemodinâmica ou das vias aéreas.
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