UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015
No pronto-socorro, a enfermeira lhe chama para ver um paciente de nove anos acompanhado por seus pais. A sua avaliação geral do menino é que há aumento no trabalho da respiração, o garoto está agitado e curvando-se para frente na cama, com cianose central, retração de fúrcula esternal à inspiração, retração intercostal e estridor inspiratório audível sem estetoscópio. Você administra oxigênio a 100% por máscara não reinalante. O paciente diz a você que isto aconteceu após a ingestão de um bombom de chocolate com amendoim na casa da avó. Ao exame físico: apresenta batimento das asas do nariz, retração de fúrcula esternal à inspiração, retração intercostal e estridor inspiratório audível sem estetoscópio. FR = 68 ipm, MV diminuído, sem ruídos adventícios somente estridor inspiratório evidente. A SpO2 = 96% (com a máscara não reinalante). Pulsos periférico e central cheios e rápidos, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. PA= 110/70 mmHg, FC= 180 bpm. Ao monitor você observa: (VER IMAGEM) Após você já ter instituído a máscara não reinalante, o diagnóstico e o tratamento inicial adequado para esta criança são:
Anafilaxia com obstrução VAS → Adrenalina IM (vastolateral da coxa) é a conduta inicial e mais importante.
A anafilaxia com comprometimento de vias aéreas superiores (estridor, retração) é uma emergência médica. A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais eficaz, devendo ser administrada prontamente no músculo vasto lateral da coxa para rápida absorção e efeito sistêmico.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como alimentos (amendoim, frutos do mar), picadas de insetos ou medicamentos. Em crianças, as alergias alimentares são uma causa comum. O reconhecimento rápido dos sinais e sintomas é crucial, pois a progressão pode ser muito rápida, levando a comprometimento respiratório e cardiovascular. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos, etc.) por mastócitos e basófilos, resultando em vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, broncoespasmo e edema de vias aéreas. Os sinais clínicos incluem urticária, angioedema, broncoespasmo, estridor, hipotensão e choque. A presença de estridor inspiratório e retrações indica obstrução de vias aéreas superiores, uma condição de alto risco que exige intervenção imediata. O tratamento inicial e mais importante para a anafilaxia é a administração de adrenalina intramuscular. Ela deve ser aplicada no músculo vasto lateral da coxa, pois essa via garante a absorção mais rápida e eficaz. Outras medidas incluem oxigenoterapia, fluidos intravenosos para hipotensão, e medicações adjuvantes como anti-histamínicos e corticoides, que, embora não sejam a primeira linha, podem ajudar a controlar os sintomas e prevenir a recorrência. A observação prolongada no pronto-socorro é essencial devido ao risco de reações bifásicas.
Os sinais incluem estridor inspiratório (audível sem estetoscópio), rouquidão, tosse, disfagia, sensação de garganta fechando, e aumento do trabalho respiratório com retrações (fúrcula esternal, intercostais). A cianose central e a postura de 'tripé' ou curvando-se para frente indicam gravidade.
A dose recomendada de adrenalina 1:1000 é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg) por via intramuscular. O local preferencial é o músculo vasto lateral da coxa, devido à sua vascularização e rápida absorção. A dose pode ser repetida a cada 5-15 minutos se não houver melhora clínica.
A adrenalina é um agonista alfa e beta-adrenérgico que atua rapidamente. Seus efeitos incluem vasoconstrição (aumenta a pressão arterial, reduz o edema), broncodilatação (melhora a respiração) e inibição da liberação de mediadores inflamatórios pelos mastócitos e basófilos, revertendo os sintomas da anafilaxia.
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