Promoção da Saúde e Ações Intersetoriais na Atenção Primária

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Há três meses, Valéria, 35 anos, migrou de Ipojuca – CE para o Rio de Janeiro – RJ junto com seus dois filhos (três e cinco anos), para morar com seu marido Pedro, 45 anos, que veio há dois anos, trabalhar na construção civil da capital fluminense. Ela procurou espontaneamente uma médica de família, queixando-se de disúria, prurido vaginal intenso, dispareunia e corrimento vaginal. O exame especular evidenciou secreção vaginal amarelo-esverdeada bolhosa e fétida. Além de prescrever o tratamento para a paciente e seu parceiro, a médica explicou a necessidade de realização de teste rápido para diagnóstico de sífilis e HIV, disponíveis na Clínica de Família, tanto para ela como para seu esposo. Também explicou sobre as formas de transmissão e prevenção do HIV e da sífilis, sobre a janela imunológica e a importância da realização do teste para o melhor controle das infecções. Uma hora depois, a médica informou que os testes rápidos foram negativos e prescreveu medicação para Valéria e seu parceiro. Ao saber da necessidade de tratar o marido, Valéria começou a chorar. Disse que ele não gostou que ela tivesse vindo para o Rio de Janeiro, chegava em casa bêbado e agredia a ela e aos filhos. Um mês depois, o marido de Valéria procurou a médica para saber por que teria que tomar o mesmo remédio que a esposa. Apesar de se mostrar contrariado, agia de modo calmo. Após explicar sobre a necessidade de tratamento e testagem, a médica abordou a questão do alcoolismo, pois compreendia que o uso do álcool poderia estar na base dos problemas daquela família. Ela buscou identificar as categorias de risco do alcoolismo como o uso nocivo, dependência e consumo problemático. Discutindo com sua equipe sobre o caso da família de Valéria, a médica disse que o sistema de saúde precisaria ampliar ações intersetoriais para redução dos agravos responsáveis pelo aumento morbimortalidade entre os homens. A equipe lembrou de ações como o maior rigor no uso de álcool ao dirigir, o incentivo à atividade física, campanhas antitabagistas, melhorar as condições de segurança no trabalho e também as atividades de grupo realizadas nas escolas do território da equipe. Nomeie o tipo de ações citadas pela equipe.

Alternativas

Pérola Clínica

Ações intersetoriais + Estilo de vida = Promoção da Saúde e Prevenção Primária.

Resumo-Chave

As ações citadas visam atuar sobre os determinantes sociais e comportamentais da saúde, caracterizando estratégias de Promoção da Saúde e Prevenção Primária.

Contexto Educacional

A Promoção da Saúde, conforme definida na Carta de Ottawa, é o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde. No caso clínico, as ações de rigor no álcool ao dirigir, incentivo à atividade física e segurança no trabalho exemplificam como a saúde depende de fatores externos ao consultório médico. Essas estratégias são fundamentais para a redução da morbimortalidade masculina, que é historicamente maior devido a comportamentos de risco e menor procura por cuidados preventivos. A atuação da equipe de Saúde da Família deve, portanto, transcender o atendimento clínico, integrando-se com escolas e outros equipamentos sociais do território para gerar impacto real nos indicadores de saúde.

Perguntas Frequentes

O que é intersetorialidade na saúde?

Intersetorialidade é a articulação entre diferentes setores da administração pública (saúde, educação, segurança, transporte) e da sociedade civil para enfrentar problemas complexos que afetam a saúde da população, indo além da assistência médica direta.

Qual a diferença entre Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças?

A Promoção da Saúde foca nos determinantes sociais e na autonomia dos indivíduos para melhorar sua qualidade de vida (ex: áreas verdes, leis de trânsito). A Prevenção foca na redução de riscos e doenças específicas (ex: vacinação, exames de rastreio).

Como a Política de Saúde do Homem aborda a morbimortalidade?

A política foca na facilitação do acesso do homem aos serviços de saúde, na prevenção de violências e acidentes, e no combate a fatores de risco como tabagismo e alcoolismo, visando reduzir a mortalidade precoce por causas externas e doenças crônicas.

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