Prolongamento do QT: Riscos de Azitromicina e Hidroxicloroquina

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 45 anos, feminina, foi encaminhada ao hospital em parada cardiorrespiratória, tendo apresentado história prévia de coriza hialina, congestão nasal e tosse há 7 dias, evoluindo com algum desconforto respiratório hoje. Esteve em contato com familiares com quadro semelhante, sendo um deles diagnosticado com covid-19. Familiares relatam que ela estava em uso de medicações prescritas por médico da unidade básica de saúde, como azitromicina e hidroxicloroquina. Negava antecedentes prévios de comorbidades, história familiar positiva para eventos cardiovasculares. Eletrocardiograma demonstra ritmo sinusal, regular, ausência de onda S em D1, onda Q em D3 e inversão de onda T em D3, complexo QRS com intervalo QT corrigido de 540ms. Qual é a provável causa da parada cardiorrespiratória?

Alternativas

  1. A) Alargamento do intervalo QT secundário às medicações em uso atual.
  2. B) Intoxicação exógena culminando com distúrbios hidroeletrolíticos.
  3. C) Tromboembolismo pulmonar secundário à covid-19.
  4. D) Anafilaxia secundária às medicações.

Pérola Clínica

Azitromicina + Hidroxicloroquina → ↑ risco de prolongamento do QT e Torsades de Pointes, especialmente em pacientes com fatores de risco.

Resumo-Chave

A combinação de azitromicina e hidroxicloroquina é conhecida por prolongar o intervalo QT, aumentando o risco de arritmias ventriculares graves como Torsades de Pointes, que pode levar à parada cardiorrespiratória. A monitorização do ECG é essencial ao usar esses medicamentos, especialmente em pacientes com fatores de risco.

Contexto Educacional

O prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma é um achado que indica um atraso na repolarização ventricular, aumentando o risco de arritmias ventriculares malignas, como a Torsades de Pointes. Este fenômeno pode ser congênito ou adquirido, sendo a forma adquirida frequentemente induzida por medicamentos. É um tema crítico para a segurança do paciente e para a prática clínica de residentes. Medicamentos como a azitromicina e a hidroxicloroquina, embora com diferentes mecanismos de ação, são conhecidos por ter o potencial de prolongar o intervalo QT. A coadministração desses fármacos, como ocorreu durante a pandemia de COVID-19, aumenta exponencialmente o risco de toxicidade cardíaca, especialmente em pacientes com fatores de risco preexistentes para arritmias ou distúrbios eletrolíticos. A identificação precoce do prolongamento do QT e a suspensão dos medicamentos causadores são cruciais para prevenir eventos fatais. A monitorização eletrocardiográfica regular e a correção de distúrbios eletrolíticos são medidas importantes no manejo desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos podem causar prolongamento do intervalo QT?

Diversos medicamentos podem prolongar o QT, incluindo antibióticos (azitromicina, fluoroquinolonas), antiarrítmicos (amiodarona, sotalol), antipsicóticos, antidepressivos e antimaláricos (hidroxicloroquina).

Qual a principal complicação do prolongamento do intervalo QT?

A principal complicação é o risco aumentado de arritmias ventriculares graves, como a Torsades de Pointes, que pode degenerar em fibrilação ventricular e parada cardiorrespiratória.

Como monitorar pacientes em uso de medicamentos que prolongam o QT?

É fundamental realizar um eletrocardiograma (ECG) basal e monitorar o intervalo QT corrigido (QTc) durante o tratamento, especialmente em pacientes com fatores de risco ou em uso de múltiplas drogas com esse efeito.

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