Adenomiose: Diagnóstico por Imagem e Tratamento Definitivo

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 41 anos, prole formada e ligadura tubária no último parto, chega à emergência com relato de ter desmaiado em casa durante seus afazeres habituais. Relata estar sentindo muita fraqueza. Perguntada pelo ciclo menstrual, relata forte intensidade e longa duração. Clinicamente, taquicárdica e hipotensa. Exame laboratorial evidenciou hemoglobina de 7,2g/dl. Realizada TC de abdome e pelve: útero aumentado de volume com contorno regular. RNM de pelve evidenciou espessamento da zona juncional de 15mm com focos de sangramento no miométrio. Diante do caso, a alternativa que evidencia o diagnóstico mais provável e a melhor conduta a ser realizada.

Alternativas

  1. A) adenomiose - histerectomia + salpingectomia
  2. B) adenomiose - histerectomia total com anexectomia bilateral 
  3. C) miomatose uterina - miomectomia
  4. D) adenomiose - curetagem uterina

Pérola Clínica

Mulher >40a, prole formada, menorragia, útero globoso/aumentado, RNM com espessamento zona juncional e focos de sangramento → Adenomiose → Histerectomia.

Resumo-Chave

A adenomiose é caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico no miométrio, causando sangramento uterino anormal (menorragia), dismenorreia e útero aumentado. A RNM é o exame de imagem mais sensível, mostrando espessamento da zona juncional e focos hemorrágicos. Em pacientes com prole formada e sintomas graves refratários, a histerectomia é o tratamento definitivo.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica benigna caracterizada pela invasão do tecido endometrial (glândulas e estroma) no miométrio, a camada muscular do útero. Essa condição leva a um aumento difuso do útero, tornando-o globoso, e causa sintomas como sangramento uterino anormal (menorragia), dismenorreia intensa e dor pélvica crônica. É mais comum em mulheres multíparas, geralmente na quarta ou quinta década de vida. O diagnóstico clínico é sugerido pelos sintomas e pelo exame físico que revela um útero aumentado e doloroso. No entanto, a confirmação diagnóstica é feita principalmente por exames de imagem. A ultrassonografia transvaginal pode mostrar um útero heterogêneo e assimetria das paredes uterinas, mas a Ressonância Magnética (RNM) de pelve é o método mais sensível e específico, evidenciando o espessamento da zona juncional (maior que 12 mm) e a presença de focos de sangramento ou cistos miometriais. O tratamento da adenomiose depende da gravidade dos sintomas, idade da paciente e desejo de preservar a fertilidade. Para pacientes com prole formada e sintomas graves e refratários ao tratamento clínico (hormonal ou anti-inflamatórios), a histerectomia (remoção do útero) é o tratamento definitivo e curativo. A salpingectomia (remoção das tubas uterinas) pode ser realizada concomitantemente, especialmente se a paciente já possui ligadura tubária ou não deseja mais gestar.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sintomas da adenomiose e como ela se diferencia da miomatose?

A adenomiose causa menorragia, dismenorreia intensa e útero difusamente aumentado e globoso. A miomatose também causa sangramento, mas geralmente por miomas focais que podem ser palpáveis e visíveis na ultrassonografia, com útero de contorno irregular.

Qual o papel da ressonância magnética no diagnóstico da adenomiose?

A ressonância magnética (RNM) é o exame de imagem mais sensível e específico para adenomiose, permitindo visualizar o espessamento da zona juncional miometrial (geralmente >12mm) e a presença de focos de sangramento ou cistos dentro do miométrio.

Quando a histerectomia é indicada para o tratamento da adenomiose?

A histerectomia é indicada para pacientes com adenomiose que apresentam sintomas graves e refratários ao tratamento clínico, especialmente aquelas com prole formada e sem desejo de preservar a fertilidade, pois é o único tratamento curativo.

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