HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026
Paciente de 42 anos, do sexo feminino, procurou atendimento com queixa dor no peito, palpitações, tontura, sensação de fraqueza generalizada e dispneia após atividades físicas mais intensas. Ao exame, apresenta-se com bom estado geral, cooperativa. Ausculta pulmonar sem alterações. Ausculta cardíaca com ritmo regular em dois tempos, percebe-se um clique mesosistólico e um discreto sopro ao final da sístole mais audível no foco mitral. Diante desse quadro, qual a melhor intervenção terapêutica?
Clique mesossistólico + Sopro telessistólico = Prolapso de Valva Mitral.
O Prolapso de Valva Mitral (PVM) com sintomas adrenérgicos (palpitações, dor torácica) é classicamente tratado com beta-bloqueadores para controle sintomático.
O Prolapso da Válvula Mitral (PVM) é uma das valvulopatias mais comuns, caracterizada pelo deslocamento de um ou ambos os folhetos mitrais para o átrio esquerdo durante a sístole. A base patológica costuma ser a degeneração mixomatosa do tecido valvar. Clinicamente, muitos pacientes são assintomáticos, mas uma parcela apresenta a 'Síndrome do PVM', com sintomas neurovegetativos. A ausculta é diagnóstica na maioria das vezes, revelando o clique mesossistólico. O tratamento foca no controle de sintomas; os beta-bloqueadores são a primeira linha para palpitações e dor precordial. É importante tranquilizar o paciente sobre a benignidade da condição na ausência de insuficiência mitral importante e reforçar que a profilaxia de endocardite não é mais recomendada rotineiramente apenas pela presença de PVM.
O achado auscultatório característico do PVM é o clique (estalido) mesossistólico, seguido por um sopro telessistólico (final da sístole) no foco mitral. O clique resulta do tensionamento súbito das cordoalhas tendíneas quando os folhetos redundantes se projetam para o átrio esquerdo. Manobras que reduzem o volume ventricular esquerdo (como ortostatismo ou Valsalva) fazem o clique e o sopro ocorrerem mais cedo na sístole.
Pacientes com PVM frequentemente apresentam sintomas relacionados a um estado de hiperatividade adrenérgica ou disautonomia, como palpitações, dor torácica atípica, ansiedade e tontura. Os beta-bloqueadores (como propranolol ou atenolol) são eficazes em reduzir a frequência cardíaca, diminuir a contratilidade excessiva que acentua o prolapso e controlar as extrassístoles, proporcionando alívio sintomático significativo.
Embora a maioria dos casos de PVM tenha curso benigno, as complicações potenciais incluem: insuficiência mitral progressiva, endocardite infecciosa (especialmente se houver sopro), arritmias atriais e ventriculares, e, raramente, eventos tromboembólicos ou morte súbita (em fenótipos específicos com fibrose miocárdica). O acompanhamento ecocardiográfico periódico é indicado para monitorar a gravidade da regurgitação.
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