Santa Casa de Rondonópolis (MT) — Prova 2023
Mulher de 25 anos comparece a consulta médica para exame admissional. Goza de boa saúde, pratica exercícios físicos regularmente, não é tabagista e nem etilista. Sem passado mórbido de importância. Seu pai faleceu há dois anos, vítima de infarto agudo do miocárdio. Estatura = 1,72m; peso = 66Kg; pressão arterial = 110/70mmHg; frequência de pulso = 70ppm; frequência respiratória: 16ipm. O exame físico não apresenta alterações à exceção de estalido mesossistólico identificado à ausculta cardíaca.Qual das seguintes condições é a causa MAIS PROVÁVEL desse achado auscultatório?
Estalido mesossistólico em mulher jovem assintomática → Prolapso de valva mitral (PVM).
O prolapso de valva mitral é uma condição comum, frequentemente benigna, caracterizada pelo deslocamento de uma ou ambas as cúspides da valva mitral para o átrio esquerdo durante a sístole. O estalido mesossistólico é o achado auscultatório clássico, podendo ser seguido por um sopro sistólico tardio se houver regurgitação.
O prolapso de valva mitral (PVM) é uma condição cardíaca comum, caracterizada pelo deslocamento de uma ou ambas as cúspides da valva mitral para o átrio esquerdo durante a sístole. Afeta cerca de 2-3% da população geral, sendo mais prevalente em mulheres jovens. Sua importância clínica varia desde uma condição benigna e assintomática até causas de regurgitação mitral grave e complicações como arritmias, endocardite e eventos tromboembólicos. O diagnóstico do PVM é primariamente clínico e ecocardiográfico. O achado clássico ao exame físico é o estalido mesossistólico, que pode ser seguido por um sopro sistólico tardio se houver regurgitação mitral. Manobras como a manobra de Valsalva ou a posição de pé diminuem o volume ventricular, fazendo com que o prolapso ocorra mais cedo na sístole e o estalido se aproxime de S1. O ecocardiograma bidimensional com Doppler confirma o diagnóstico, avalia a gravidade da regurgitação e a morfologia valvar. O tratamento do PVM depende da presença e gravidade dos sintomas e da regurgitação mitral. Pacientes assintomáticos com PVM sem regurgitação significativa geralmente não necessitam de tratamento específico, apenas acompanhamento. Em casos de regurgitação mitral grave e sintomática, pode ser indicada intervenção cirúrgica (reparo ou troca valvar). A profilaxia para endocardite infecciosa não é rotineiramente recomendada, exceto em pacientes com história prévia de endocardite ou regurgitação grave com alto risco.
O achado mais característico é o estalido mesossistólico, que pode ser único ou múltiplo. Se houver regurgitação mitral significativa, um sopro sistólico tardio de alta frequência pode seguir o estalido.
Embora o prolapso de valva mitral seja frequentemente idiopático, há formas familiares e associações com doenças do tecido conjuntivo. A história familiar de eventos cardíacos pode levantar a suspeita de outras condições, mas o PVM é a causa mais provável do estalido isolado.
O estalido do PVM é mesossistólico e varia com manobras que alteram o volume ventricular (ex: Valsalva o antecipa). Estalidos de ejeção são protossistólicos e associados a estenoses aórtica/pulmonar ou dilatação de grandes vasos.
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