Prolapso de Valva Mitral: Manobras e Ausculta Cardíaca

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 23 anos realiza avaliação períodica de saúde. Não apresenta queixas expecíficas. O exame cardiovascular revela estalido mesossistólico agudo e sopro suave que se inicia após o estalido e encobre a segunda bulha parcialmente, mais audível na ponta do coração com irriadiação para a axila esquerda. Ao realizar a manobra de Valsalva, o estalido tornou-se mais próximo da primeira bulha, mais audível, e o sopro aumentou a intensidade. Assinale a alternativa que apresenta outra manobra MAIS provavelmente capaz de tornar o estalido e o sopro mais próximos da primeira bulha e mais intensos. 

Alternativas

  1. A) Agachamento.
  2. B) Aperto de mão (hand grip).
  3. C) Elevação passiva dos membros inferiores.
  4. D) Ficar de pé rapidamente. 

Pérola Clínica

PVM: Valsalva e ficar de pé ↓ volume VE → estalido precoce, sopro + intenso.

Resumo-Chave

No prolapso de valva mitral, manobras que diminuem o volume do ventrículo esquerdo (como a fase II da manobra de Valsalva ou ficar de pé rapidamente) fazem com que o prolapso ocorra mais cedo na sístole. Isso se manifesta clinicamente pelo estalido mesossistólico se aproximando da primeira bulha e o sopro se tornando mais longo e intenso.

Contexto Educacional

O prolapso de valva mitral (PVM) é uma condição comum caracterizada pelo deslocamento de uma ou ambas as cúspides da valva mitral para o átrio esquerdo durante a sístole ventricular. Na maioria dos casos, é uma condição benigna e assintomática, mas pode estar associada a sintomas como palpitações, dor torácica atípica e, em casos mais graves, insuficiência mitral significativa. A ausculta cardíaca é fundamental para o diagnóstico do PVM. O achado clássico é um estalido mesossistólico, que ocorre quando as cúspides prolapsam, seguido por um sopro sistólico de regurgitação mitral. A característica distintiva do PVM é a modificação desses achados com manobras dinâmicas que alteram o volume do ventrículo esquerdo. Manobras que diminuem o volume ventricular, como a fase de esforço da manobra de Valsalva ou a posição de pé rápida, fazem com que o prolapso ocorra mais cedo na sístole, aproximando o estalido da primeira bulha e tornando o sopro mais longo e intenso. Inversamente, manobras que aumentam o volume ventricular (agachamento, elevação das pernas) atrasam o prolapso, afastando o estalido e diminuindo o sopro. O diagnóstico é confirmado por ecocardiograma, que permite visualizar o prolapso das cúspides e quantificar a gravidade de qualquer regurgitação mitral associada. O manejo geralmente é conservador para pacientes assintomáticos com regurgitação leve. Em casos de regurgitação grave ou sintomas significativos, pode ser indicada intervenção cirúrgica para reparo ou substituição da valva.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos na ausculta do prolapso de valva mitral?

Os achados clássicos incluem um estalido mesossistólico (clique) seguido por um sopro sistólico de ejeção que se inicia após o estalido e pode se estender até a segunda bulha, mais audível na ponta e com irradiação para a axila.

Como a manobra de Valsalva afeta o prolapso de valva mitral?

A fase de esforço (fase II) da manobra de Valsalva diminui o retorno venoso e o volume do ventrículo esquerdo. Isso faz com que o prolapso da valva mitral ocorra mais cedo na sístole, aproximando o estalido da primeira bulha e tornando o sopro mais longo e intenso.

Quais manobras aumentam o volume do ventrículo esquerdo e como elas afetam o PVM?

Manobras como agachamento, elevação passiva dos membros inferiores e aperto de mão (hand grip) aumentam o retorno venoso e o volume do ventrículo esquerdo. No PVM, isso retarda o prolapso, afastando o estalido da primeira bulha e diminuindo a duração e intensidade do sopro.

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