Prolapso Vaginal Pós-Histerectomia: Diagnóstico e Sinais

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 55 anos, foi submetida à histerectomia abdominal total previamente. Relata que há 1 mês sente pressão pélvica, dor na barriga, sensação de algo saindo pela vagina. Tem tido quadro de incontinência urinária e dificuldade em evacuar. Relata, ainda, dor nas relações sexuais. Ao exame, há atrofia da vulva. Observa-se saliência da mucosa no introito. O restante do exame pélvico, incluindo o exame retal e o teste do cotonete, é normal. Diagnóstico provável de:

Alternativas

  1. A) Prolapso vaginal.
  2. B) Cistocele. 
  3. C) Retocele. 
  4. D) Enterocele.

Pérola Clínica

Pós-histerectomia + sensação de 'algo saindo' + sintomas urinários/evacuatórios = Prolapso Vaginal.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de prolapso de órgão pélvico (POP) após histerectomia, com sintomas de pressão pélvica, sensação de abaulamento vaginal, disfunções urinárias e intestinais, e dispareunia. A saliência da mucosa no introito vaginal ao exame físico confirma a presença do prolapso.

Contexto Educacional

O prolapso de órgão pélvico (POP) é uma condição comum que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres, especialmente as multíparas e pós-menopáusicas. A histerectomia, embora resolva a patologia uterina, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de prolapso vaginal, particularmente o prolapso de cúpula vaginal, onde a porção superior da vagina se invagina. A prevalência de POP aumenta com a idade e é uma das principais razões para cirurgias ginecológicas. A fisiopatologia do prolapso envolve o enfraquecimento ou dano dos músculos, fáscias e ligamentos do assoalho pélvico, que são responsáveis por sustentar os órgãos pélvicos. Fatores como partos vaginais, obesidade, tosse crônica, constipação e deficiência estrogênica na menopausa contribuem para essa fraqueza. Os sintomas são variados e incluem sensação de peso pélvico, abaulamento vaginal, disfunções urinárias (incontinência, esvaziamento incompleto), disfunções intestinais (constipação, dificuldade evacuatória) e dispareunia. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e no exame físico. O tratamento do prolapso vaginal pode ser conservador, com fisioterapia do assoalho pélvico e uso de pessários, ou cirúrgico, visando restaurar a anatomia e função. A escolha depende da gravidade dos sintomas, do tipo de prolapso e das preferências da paciente. A atrofia vulvovaginal, presente no caso, é comum na pós-menopausa e pode agravar os sintomas, sendo tratada com estrogênio tópico. A abordagem multidisciplinar é fundamental para o sucesso terapêutico e a melhoria da qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas que indicam um prolapso vaginal?

Os principais sintomas incluem sensação de peso ou pressão pélvica, sensação de 'bola' ou 'algo saindo' pela vagina, dificuldade para urinar ou evacuar, incontinência urinária, dor durante as relações sexuais (dispareunia) e dor lombar.

Por que a histerectomia pode aumentar o risco de prolapso vaginal?

A histerectomia pode aumentar o risco de prolapso vaginal, especialmente de cúpula vaginal, porque a remoção do útero altera o suporte anatômico do assoalho pélvico. Os ligamentos e fáscias que sustentavam o útero podem enfraquecer ou ser danificados durante a cirurgia, predispondo ao prolapso.

Como o exame físico auxilia no diagnóstico do prolapso vaginal?

O exame físico, incluindo o exame especular e o toque vaginal, permite visualizar e palpar o abaulamento da parede vaginal no introito ou além dele. Manobras de Valsalva podem exacerbar o prolapso, auxiliando na identificação e classificação do grau do prolapso.

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