FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Com relação ao prolapso retal, assinalar a alternativa correta:
Prolapso retal total = intussuscepção circunferencial de todas as camadas da parede retal através do ânus.
O prolapso retal é fisiopatologicamente uma intussuscepção do reto. Diferencia-se do prolapso mucoso pelas pregas circunferenciais (vs. radiadas) e tem maior prevalência em mulheres idosas.
O prolapso retal total, ou procidência, é uma condição debilitante onde ocorre a protrusão de todas as camadas da parede retal pelo canal anal. Sua fisiopatologia é amplamente aceita como uma intussuscepção circunferencial do reto distal ou sigmoide, iniciando-se internamente e progredindo até a exteriorização. É mais comum em mulheres acima dos 60 anos, frequentemente associada a multiparidade e fraqueza do assoalho pélvico. O diagnóstico é clínico, realizado através da manobra de Valsalva. O tratamento é essencialmente cirúrgico, visando fixar o reto (retopexia) ou ressecar o excesso tecidual. A escolha da técnica depende do status funcional do paciente e da experiência do cirurgião, priorizando a via abdominal para resultados anatômicos mais duradouros.
A diferenciação é clínica e baseia-se na inspeção do reto protruído. No prolapso retal total (procidência), as pregas da mucosa são circunferenciais e concêntricas, pois envolvem todas as camadas da parede. Já no prolapso mucoso ou hemorroidário, as pregas são radiadas (lineares), partindo do centro para a periferia. Além disso, o prolapso total costuma apresentar uma massa maior e mais espessa ao toque. Exames de imagem como a defecografia podem auxiliar em casos de prolapso oculto (intussuscepção interna), mas o diagnóstico do prolapso exteriorizado é eminentemente clínico.
As abordagens abdominais (como a retopexia com ou sem tela) são geralmente preferidas em pacientes com baixo risco cirúrgico, pois oferecem as menores taxas de recorrência e podem corrigir disfunções associadas. As abordagens perineais (como as técnicas de Altemeier ou Delorme) são reservadas para pacientes idosos, frágeis ou com múltiplas comorbidades, devido ao menor estresse cirúrgico e uso de anestesia regional, embora apresentem taxas de recidiva significativamente mais altas quando comparadas à via abdominal.
Embora a hemorragia e o desconforto sejam queixas frequentes, as complicações mais graves envolvem o encarceramento e o estrangulamento do segmento prolapsado, o que pode levar à isquemia, necrose e perfuração retal. Outra consequência crônica importante é a incontinência fecal, presente em até 75% dos pacientes devido ao estiramento crônico do esfíncter anal e do nervo pudendo. A constipação também é um sintoma prevalente, muitas vezes relacionada a distúrbios de evacuação obstruída subjacentes.
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