Prolapso Retal: Fisiopatologia, Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Com relação ao prolapso retal, assinalar a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Pode ser diferenciado de prolapso hemorroidário com base em exames de imagem.
  2. B) Pode ser considerado como uma intussuscepção do reto.
  3. C) As abordagens cirúrgicas perineais têm menor taxa de recorrências que as abdominais.
  4. D) A complicação mais temida no prolapso retal é a hemorragia.
  5. E) É mais comum em homens do que em mulheres.

Pérola Clínica

Prolapso retal total = intussuscepção circunferencial de todas as camadas da parede retal através do ânus.

Resumo-Chave

O prolapso retal é fisiopatologicamente uma intussuscepção do reto. Diferencia-se do prolapso mucoso pelas pregas circunferenciais (vs. radiadas) e tem maior prevalência em mulheres idosas.

Contexto Educacional

O prolapso retal total, ou procidência, é uma condição debilitante onde ocorre a protrusão de todas as camadas da parede retal pelo canal anal. Sua fisiopatologia é amplamente aceita como uma intussuscepção circunferencial do reto distal ou sigmoide, iniciando-se internamente e progredindo até a exteriorização. É mais comum em mulheres acima dos 60 anos, frequentemente associada a multiparidade e fraqueza do assoalho pélvico. O diagnóstico é clínico, realizado através da manobra de Valsalva. O tratamento é essencialmente cirúrgico, visando fixar o reto (retopexia) ou ressecar o excesso tecidual. A escolha da técnica depende do status funcional do paciente e da experiência do cirurgião, priorizando a via abdominal para resultados anatômicos mais duradouros.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar clinicamente o prolapso retal total do prolapso mucoso?

A diferenciação é clínica e baseia-se na inspeção do reto protruído. No prolapso retal total (procidência), as pregas da mucosa são circunferenciais e concêntricas, pois envolvem todas as camadas da parede. Já no prolapso mucoso ou hemorroidário, as pregas são radiadas (lineares), partindo do centro para a periferia. Além disso, o prolapso total costuma apresentar uma massa maior e mais espessa ao toque. Exames de imagem como a defecografia podem auxiliar em casos de prolapso oculto (intussuscepção interna), mas o diagnóstico do prolapso exteriorizado é eminentemente clínico.

Qual a principal diferença entre as abordagens cirúrgicas abdominais e perineais?

As abordagens abdominais (como a retopexia com ou sem tela) são geralmente preferidas em pacientes com baixo risco cirúrgico, pois oferecem as menores taxas de recorrência e podem corrigir disfunções associadas. As abordagens perineais (como as técnicas de Altemeier ou Delorme) são reservadas para pacientes idosos, frágeis ou com múltiplas comorbidades, devido ao menor estresse cirúrgico e uso de anestesia regional, embora apresentem taxas de recidiva significativamente mais altas quando comparadas à via abdominal.

Quais são as complicações mais comuns do prolapso retal?

Embora a hemorragia e o desconforto sejam queixas frequentes, as complicações mais graves envolvem o encarceramento e o estrangulamento do segmento prolapsado, o que pode levar à isquemia, necrose e perfuração retal. Outra consequência crônica importante é a incontinência fecal, presente em até 75% dos pacientes devido ao estiramento crônico do esfíncter anal e do nervo pudendo. A constipação também é um sintoma prevalente, muitas vezes relacionada a distúrbios de evacuação obstruída subjacentes.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo