Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2025
Durante a avaliação de uma paciente do sexo feminino com queixa de massa extrusa em topografia vaginal, no ambulatório de uroginecologia, foi notada a presença de um prolapso de parede posterior, que pode conter as estruturas assinaladas na alternativa:
Prolapso de parede posterior vaginal → pode conter o reto (retocele) ou alças de intestino delgado (enterocele).
A parede vaginal posterior separa a vagina do reto e do fundo de saco de Douglas. Defeitos na fáscia retovaginal podem levar à herniação do reto (retocele, mais comum e inferior) ou de alças intestinais e peritônio do fundo de saco (enterocele, mais superior).
O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum que resulta do enfraquecimento dos músculos e ligamentos do assoalho pélvico, levando à herniação de órgãos pélvicos para dentro ou através da vagina. O POP é classificado de acordo com o compartimento vaginal acometido: anterior (cistocele, uretrocele), apical (prolapso uterino ou de cúpula vaginal) e posterior (retocele, enterocele). A parede vaginal posterior é sustentada pela fáscia retovaginal e separa a vagina do reto. Um defeito nessa estrutura pode levar a dois tipos principais de prolapso. A retocele é a herniação da parede anterior do reto através da parede posterior da vagina, sendo a forma mais comum de prolapso do compartimento posterior. A enterocele é a herniação do peritônio do fundo de saco de Douglas, que pode conter alças de intestino delgado, através da porção superior da parede vaginal posterior. O diagnóstico é primariamente clínico, realizado através do exame ginecológico com o uso de um espéculo bivalve ou de suas valvas separadamente para visualizar as paredes vaginais durante a manobra de Valsalva. A diferenciação entre retocele e enterocele é importante para o planejamento cirúrgico. O tratamento varia desde medidas conservadoras, como fisioterapia pélvica e uso de pessários, até a correção cirúrgica, dependendo da gravidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida da paciente.
Os sintomas incluem sensação de peso ou 'bola na vagina', dificuldade para evacuar (constipação terminal), necessidade de manobras digitais para esvaziar o reto, sensação de esvaziamento retal incompleto e dispareunia (dor na relação sexual).
Durante a manobra de Valsalva com a paciente em posição ginecológica, a retocele se manifesta como uma protrusão da porção inferior da parede posterior. A enterocele, uma herniação do fundo de saco de Douglas, geralmente se projeta na porção superior da parede posterior. O toque retovaginal pode ajudar a confirmar a presença de fezes na retocele.
Os principais fatores de risco incluem multiparidade, parto vaginal (especialmente partos difíceis), idade avançada, menopausa (hipoestrogenismo), obesidade, histerectomia prévia e condições que aumentam cronicamente a pressão intra-abdominal, como tosse crônica e constipação intestinal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo