HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023
Mulher, 43 anos de idade, IIG I parto cesáreo há 5 anos e 1 parto vaginal há 1 ano, refere bola na vagina com dificuldade de esvaziamento vesical e urgência miccional desde o parto. Nega incontinência urinária e noctúria. HI: obstipada. O diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, é
Bola na vagina + dificuldade esvaziamento vesical + urgência miccional + multiparidade → Prolapso de parede vaginal anterior (cistocele).
A queixa de 'bola na vagina' associada a sintomas urinários obstrutivos (dificuldade de esvaziamento) e irritativos (urgência) em uma mulher multípara, especialmente após parto vaginal, é altamente sugestiva de prolapso da parede vaginal anterior, conhecido como cistocele.
O prolapso de órgãos pélvicos é uma condição comum que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres, especialmente multíparas. Caracteriza-se pela descida de um ou mais órgãos pélvicos (bexiga, útero, reto) para dentro ou para fora da vagina, devido à fraqueza ou lesão dos músculos e ligamentos do assoalho pélvico. Para residentes, é fundamental reconhecer os sintomas e fatores de risco para um diagnóstico e manejo adequados. A história clínica da paciente, com a queixa de 'bola na vagina', é um sintoma cardinal do prolapso. A associação com dificuldade de esvaziamento vesical e urgência miccional aponta fortemente para o envolvimento da bexiga, caracterizando um prolapso da parede vaginal anterior, ou cistocele. A multiparidade e o histórico de parto vaginal são fatores de risco significativos, pois o trauma do parto pode levar ao enfraquecimento das estruturas de suporte pélvico. A obstipação crônica também contribui, pois o esforço evacuatório repetido aumenta a pressão intra-abdominal, agravando o prolapso. O diagnóstico é confirmado pelo exame físico ginecológico, onde se observa a protusão da parede vaginal anterior com a manobra de Valsalva. O tratamento pode variar desde medidas conservadoras, como fisioterapia do assoalho pélvico e uso de pessários, até a correção cirúrgica, dependendo do grau do prolapso, dos sintomas e do impacto na qualidade de vida da paciente. É importante diferenciar a cistocele de outros tipos de prolapso, como o retocele (prolapso posterior) ou o prolapso uterino/de cúpula, pois os sintomas e as abordagens terapêuticas podem diferir.
Os principais fatores de risco para o prolapso de órgãos pélvicos incluem multiparidade, parto vaginal (especialmente partos traumáticos ou com feto grande), idade avançada, obesidade, tosse crônica, constipação crônica e cirurgias pélvicas prévias. A fraqueza dos músculos e ligamentos do assoalho pélvico é a causa subjacente.
A cistocele (prolapso anterior) geralmente se manifesta com sintomas urinários, como dificuldade de esvaziamento vesical, urgência, frequência e, por vezes, incontinência. O retocele (prolapso posterior) está mais associado a sintomas intestinais, como dificuldade para evacuar (disquesia), sensação de evacuação incompleta e necessidade de manobras digitais para auxiliar a defecação. O exame físico é crucial para a diferenciação.
As opções de tratamento variam conforme a gravidade dos sintomas e o desejo da paciente. Incluem medidas conservadoras como exercícios para o assoalho pélvico (fisioterapia), uso de pessários vaginais para suporte. Em casos mais sintomáticos ou avançados, o tratamento cirúrgico é indicado, visando restaurar a anatomia e a função do assoalho pélvico.
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