HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2020
Mulher de 85 anos, com queixa de bola na vagina e dificuldade miccional. Ao exame físico apresenta os seguintes achados segundo a classificação POP-Q: Aa=+3, Bp=+6, C=+7, CVT= 8, CP=3, HG=5, Ap= +3, Bp=+6, D=+5. Hipertensa de difícil controle pressórico e cardiopata. Qual tratamento mais indicado?
Prolapso avançado em idosa com comorbidades graves = pessário vaginal é a melhor opção conservadora.
Em pacientes idosas com prolapso de órgãos pélvicos avançado e múltiplas comorbidades que aumentam significativamente o risco cirúrgico (como hipertensão de difícil controle e cardiopatia), o tratamento conservador com pessário vaginal é a conduta mais indicada. Ele oferece alívio sintomático sem os riscos da cirurgia.
O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum em mulheres idosas, caracterizada pelo descenso de um ou mais órgãos pélvicos (bexiga, útero, reto) para dentro ou além da vagina. A paciente do caso apresenta um prolapso avançado, conforme a classificação POP-Q (estágios III/IV), com sintomas de "bola na vagina" e dificuldade miccional, que impactam significativamente sua qualidade de vida. A escolha do tratamento para o POP deve considerar a idade da paciente, suas comorbidades, o grau do prolapso, os sintomas e suas expectativas. No caso de uma mulher de 85 anos com hipertensão de difícil controle e cardiopatia, o risco cirúrgico é elevado. Procedimentos como histerectomia vaginal ou colpoplastia anterior e posterior, embora eficazes, envolvem anestesia e recuperação que podem ser perigosas para pacientes com múltiplas comorbidades. A fisioterapia, embora útil para prolapsos leves ou como adjuvante, é insuficiente para um prolapso tão avançado. Nesse contexto, o pessário vaginal surge como a opção mais indicada. É um dispositivo de silicone inserido na vagina para dar suporte aos órgãos pélvicos, aliviando os sintomas sem a necessidade de cirurgia. É uma solução conservadora, de baixo risco, que pode ser facilmente ajustada e removida para higiene. Para o residente, é crucial saber avaliar o risco-benefício das intervenções e priorizar a segurança do paciente, optando por tratamentos conservadores eficazes em pacientes de alto risco cirúrgico.
O pessário é indicado para pacientes que desejam tratamento conservador, que têm contraindicações cirúrgicas, que estão aguardando cirurgia, ou que desejam preservar a fertilidade, oferecendo alívio sintomático do prolapso.
O POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) padroniza a avaliação do prolapso, permitindo quantificar a extensão do descenso dos órgãos pélvicos. Estágios avançados (III ou IV) com sintomas significativos geralmente requerem intervenção, seja conservadora ou cirúrgica.
Contraindicações incluem comorbidades graves (cardiopatias descompensadas, hipertensão não controlada, diabetes descompensado), infecções ativas, coagulopatias e expectativa de vida limitada, que aumentam os riscos anestésicos e cirúrgicos.
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