Prolapso de Órgãos Pélvicos: Manejo em Idosas com Comorbidades

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 84 anos, G4P4A0 (4PN), DUM: há 37 anos. Paciente refere que há 12 anos iniciou com frouxidão vaginal e que há 6 meses tem notado abaulamento em região perineal que tem incomodado e atrapalha sua vida cotidiana e sexual. Tem HAS, diabetes e dislipidemia sem controle adequado com medicação. Antecedente pessoal de infarto agudo do miocárdio há 7 anos. Exame físico: regular estado geral, IMC: 32,2 Kg/m2, exame ginecológico abaixo.Qual a melhor conduta neste momento?

Alternativas

  1. A) Colporrafia anterior e posterior.
  2. B) Uso de pessario vaginal.
  3. C) Histerectomia total vaginal.
  4. D) Colpocleise a LeFort.

Pérola Clínica

Prolapso em idosa com comorbidades e IMC elevado → pessário vaginal é a conduta inicial preferencial.

Resumo-Chave

Em pacientes idosas com múltiplas comorbidades (HAS, DM, dislipidemia, IAM prévio) e obesidade (IMC 32,2), o tratamento conservador com pessário vaginal é a opção mais segura e eficaz para o prolapso de órgãos pélvicos, evitando os riscos cirúrgicos.

Contexto Educacional

O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum em mulheres multíparas e idosas, caracterizada pela descida de um ou mais órgãos pélvicos (bexiga, útero, reto) para a vagina. Sua prevalência aumenta com a idade e o número de partos vaginais, impactando significativamente a qualidade de vida. A avaliação deve considerar o grau do prolapso, sintomas e comorbidades da paciente. A fisiopatologia envolve o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico e dos ligamentos de suporte. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. A suspeita deve surgir em pacientes com sensação de peso vaginal, abaulamento, disfunção urinária ou intestinal. É crucial diferenciar os tipos de prolapso (cistocele, retocele, prolapso uterino). O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Em pacientes idosas com comorbidades significativas (doença cardíaca, diabetes descompensado, obesidade), o tratamento conservador com pessário vaginal é frequentemente a primeira escolha. O pessário oferece suporte mecânico, aliviando os sintomas sem os riscos anestésicos e cirúrgicos, sendo uma opção segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para prolapso de órgãos pélvicos?

Os principais fatores de risco incluem multiparidade, partos vaginais traumáticos, idade avançada, obesidade, tosse crônica, constipação e deficiência de estrogênio pós-menopausa.

Quando o tratamento conservador com pessário vaginal é indicado para prolapso?

O tratamento com pessário é indicado para pacientes que desejam evitar cirurgia, têm comorbidades que aumentam o risco cirúrgico, ou como terapia inicial para alívio dos sintomas. É uma opção eficaz e menos invasiva.

Quais as contraindicações para cirurgia de prolapso em idosas?

Contraindicações relativas para cirurgia em idosas incluem comorbidades graves e descompensadas (doença cardíaca, diabetes, obesidade mórbida), alto risco anestésico e expectativa de vida limitada. Nesses casos, o tratamento conservador é preferível.

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