HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Uma paciente de 58 anos de idade, G5PN4PC1, sem comorbidades, refere perda urinária ao tossir e sensação de “bola na vagina”, que a incomoda durante o ato sexual. Foi histerectomizada há 10 anos por miomatose uterina. Ao exame físico, identificam-se perda urinária sob valsalva e prolapso de cúpula vaginal. O estudo urodinâmico evidencia pressão de perda de 102 cm H2O. Considerando o caso clínico apresentado, julgue o item.A paridade é um fator de risco para o prolapso vaginal dos órgãos pélvicos, desde que a via de parto seja vaginal.
A paridade é fator de risco para prolapso de órgãos pélvicos, independentemente da via de parto, embora o parto vaginal aumente o risco.
A paridade, ou seja, o número de gestações, é um fator de risco para o prolapso de órgãos pélvicos devido às alterações hormonais e ao estresse mecânico da gravidez, mesmo que o parto seja por cesariana. O parto vaginal, no entanto, adiciona um risco significativamente maior devido ao trauma direto ao assoalho pélvico.
O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres, caracterizada pela descida de um ou mais órgãos pélvicos (bexiga, útero, reto, cúpula vaginal) em direção ou para fora da vagina. A compreensão de seus fatores de risco é fundamental para a prevenção e o manejo. A paridade é um dos fatores de risco mais bem estabelecidos para o POP. Embora o parto vaginal seja classicamente associado a um risco aumentado devido ao trauma direto aos músculos e ligamentos do assoalho pélvico, a gravidez em si, com suas alterações hormonais e aumento da pressão intra-abdominal, já contribui para o enfraquecimento das estruturas de suporte, mesmo em gestações que resultam em cesariana. A fisiopatologia do POP envolve uma combinação de fatores que levam ao enfraquecimento do assoalho pélvico e dos ligamentos de suporte. Isso inclui danos aos músculos do assoalho pélvico (como o levantador do ânus), aos ligamentos uterosacros e cardinais, e à fáscia endopélvica. A histerectomia, como no caso apresentado, remove o suporte uterino, aumentando o risco de prolapso de cúpula vaginal. O diagnóstico é clínico, complementado por exames como o estudo urodinâmico para avaliar a função vesical e a incontinência urinária associada. O tratamento varia de abordagens conservadoras (fisioterapia do assoalho pélvico, pessários) a cirúrgicas, dependendo da gravidade dos sintomas e do tipo de prolapso. A cirurgia visa restaurar a anatomia e a função, utilizando técnicas como a sacrocolpopexia para prolapso de cúpula. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas o risco de recorrência existe. É crucial que os residentes compreendam a complexidade dos fatores de risco e as opções de tratamento para oferecer o melhor cuidado às pacientes.
Os principais fatores de risco incluem paridade (especialmente múltiplos partos vaginais), idade avançada, obesidade, histerectomia prévia, constipação crônica, tosse crônica e fatores genéticos que afetam a qualidade do tecido conjuntivo.
A gravidez causa alterações hormonais que podem enfraquecer o tecido conjuntivo e os músculos do assoalho pélvico. Além disso, o aumento do peso uterino e da pressão intra-abdominal durante a gestação exerce estresse sobre as estruturas de suporte pélvico, independentemente da via de parto.
O prolapso de cúpula vaginal é a descida da porção superior da vagina (cúpula) após a histerectomia, que é a remoção do útero. A histerectomia remove um dos principais suportes apicais da vagina, aumentando o risco de prolapso da cúpula, especialmente se não houver suspensão adequada durante a cirurgia.
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