HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024
Mulher, 76 anos de idade, refere bola na vagina, aumento da frequência urinária (10 vezes/dia), 2 episódios de perda urinária diária e noctúria (levanta-se para urinar durante a madrugada 3 vezes) há 1 ano. É hipertensa controlada com anlodipina. Refere 5 partos vaginais e histerectomia aos 50 anos de idade. Nega atividade sexual. Ao exame físico observou-se o seguinte estadiamento POP-q: IIa IIIc Ip. A conduta mais adequada nesse caso, dentre as abaixo, é:
POP apical (IIIc) em idosa inativa sexualmente + bexiga hiperativa → Colpossacrofixação + Mirabegrona.
A colpossacrofixação é o padrão ouro para prolapso apical, especialmente após histerectomia. Em idosas, a mirabegrona é preferível à oxibutinina para bexiga hiperativa devido ao menor risco de efeitos anticolinérgicos centrais.
O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum em mulheres multíparas e idosas, caracterizada pela descida de um ou mais órgãos pélvicos. A avaliação clínica detalhada, incluindo o estadiamento POP-Q, é fundamental para determinar a extensão do prolapso e guiar a conduta terapêutica. Sintomas urinários, como frequência e incontinência, frequentemente acompanham o POP, exigindo uma abordagem combinada. A fisiopatologia do POP envolve o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, ligamentos e fáscias, frequentemente associado a partos vaginais, idade e fatores genéticos. O diagnóstico é clínico, complementado pelo exame físico com o sistema POP-Q. A queixa de 'bola na vagina' é um sintoma clássico. A bexiga hiperativa, com seus sintomas de urgência, frequência e noctúria, pode ser exacerbada pelo prolapso. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Para prolapso apical significativo em mulheres sexualmente inativas, a colpossacrofixação é considerada o padrão ouro devido à sua durabilidade. Para os sintomas de bexiga hiperativa, a mirabegrona é uma excelente opção em idosas, minimizando os riscos de efeitos adversos cognitivos dos anticolinérgicos. A escolha da conduta deve ser individualizada, considerando a idade, atividade sexual, comorbidades e expectativas da paciente.
O estadiamento POP-Q é crucial para identificar os compartimentos afetados e a gravidade do prolapso, guiando a escolha da técnica cirúrgica mais apropriada para cada caso, como a colpossacrofixação para prolapso apical.
A mirabegrona, um agonista beta-3, possui menos efeitos colaterais anticolinérgicos centrais (como boca seca, constipação e confusão mental) em comparação com a oxibutinina, sendo mais segura para pacientes idosas.
A colpocleise é uma opção cirúrgica para mulheres idosas com prolapso avançado que não desejam ou não podem ter atividade sexual, oferecendo uma recuperação mais rápida e menor risco cirúrgico em comparação com outras técnicas.
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