IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 62 anos de idade, submetido a sigmoidostomia em alça há dois meses, devido a neoplasia de reto médio localmente avançada, com metástases hepáticas e pulmonares. Está realizando quimioterapia paliativa, com episódios de diarreia nos últimos três dias, apresentando prolapso da colostomia hoje. Ao exame físico, encontra se em bom estado geral, com abdome globoso, flácido e indolor. A colostomia encontra se prolapsada, bem perfundida, sem sinais de isquemia ou sangramento. A conduta correta neste momento é:
Prolapso de estoma viável (rosado/perfundido) → Tentativa de redução manual inicial.
O prolapso de estoma é uma complicação tardia comum. Se o segmento estiver bem perfundido e sem sinais de sofrimento isquêmico, a conduta inicial é a redução manual no leito, muitas vezes auxiliada por agentes osmóticos.
O prolapso de estoma é uma complicação tardia que afeta entre 2% a 10% dos pacientes com estomas intestinais, sendo mais frequente em colostomias em alça. Em pacientes oncológicos em cuidados paliativos, o objetivo do manejo é o controle de sintomas e a manutenção da funcionalidade do estoma com a menor agressividade possível. A avaliação da viabilidade da mucosa é o passo mais importante. Uma mucosa rosada e brilhante indica boa perfusão, permitindo manobras conservadoras. A diarreia recente, mencionada no caso, pode ter sido o fator precipitante pelo aumento do peristaltismo. A redução manual, embora muitas vezes temporária, é a primeira linha de tratamento. A reintervenção cirúrgica (como a fixação ou o reposicionamento do estoma) é considerada apenas em casos de falha do manejo conservador ou complicações isquêmicas.
A redução deve ser feita com o paciente em decúbito dorsal. Pode-se utilizar compressas mornas ou aplicação de açúcar refinado (agente osmótico) sobre a mucosa por 15-20 minutos para reduzir o edema. Após a redução do volume, aplica-se pressão suave e contínua para reintroduzir o segmento prolapsado através do estoma. Se houver sucesso, pode-se utilizar um cinto de suporte ou dispositivo de contenção para evitar recidiva imediata.
A cirurgia torna-se urgente se houver sinais de isquemia ou necrose (mucosa escura, arroxeada ou preta), sangramento incontrolável, obstrução intestinal completa que não resolve com a redução ou se o prolapso for irredutível e causar dor intensa. Em pacientes com câncer avançado, a cirurgia é evitada ao máximo, reservando-se para casos de complicações agudas ameaçadoras.
O prolapso ocorre devido à protrusão do segmento proximal ou distal do intestino através do orifício do estoma. Fatores contribuintes incluem abertura excessiva na parede abdominal (defeito técnico), aumento da pressão intra-abdominal (tosse crônica, ascite, obesidade), falta de fixação do mesentério ou do intestino à parede abdominal e episódios de diarreia que aumentam a motilidade, como no caso do paciente em quimioterapia.
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