Prolapso Vaginal e Fístula: Manejo Pré-Cirúrgico e ATB

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Maria Vitória, 54 anos, divorciada, atualmente em um novo relacionamento. Na história mórbida pregressa, relata realização de histerectomia por SUA-L quando tinha 40 anos. Aos 48 anos, iniciou sintomas de menopausa, mas optou por não tratar devido a medo de câncer de mama. Atualmente queixa-se de uma bola na vagina, que atrapa- lha seu relacionamento e trabalho. Associado a isso, apresenta secreção amarelada que está manchando sua roupa íntima, sem outras queixas. No exame físico, se observou saída de secreção contínua pela uretra que piora quando se faz expressão e na Manobra de Valsalva, observou-se que a cúpula vaginal chega às carúnculas mirtiformes. Com relação ao manejo pré-cirúrgico e ao uso de antibiótico, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Tratar com Ceftriaxona 1g, IM, dose única e quando da correção cirúrgica do prolapso vaginal, o antibiótico profilático será Cefazolina 1g EV dose única.
  2. B) Tratar com Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única e Azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, VO, dose única previamente e quando da correção cirúrgica do prolapso vaginal, o antibiótico profilático será Cefazolina 1g + Metronidazol 500 mg.
  3. C) Tratar com Ceftriaxona 500 mg/dia, IM, por 7 dias e Azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, VO, dose única previamente e quando da correção cirúrgica do prolapso vaginal, o antibiótico profilático será Cefazolina 1g + Metronidazol 500 mg.
  4. D) Tratar com Ceftriaxona 1g, IM, dose única e Azitromicina 500 mg, VO, por 7 dias previamente e quando da correção cirúrgica do prolapso vaginal, o antibiótico profilático será Cefalotina 1 g EV dose única.
  5. E) Tratar com Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única e Azitromicina 500 mg, VO, por 7 dias previamente e quando da correção cirúrgica do prolapso vaginal, o antibiótico profilático será Cefalotina 1g + Metronidazol 500 mg.

Pérola Clínica

Secreção uretral amarelada + prolapso vaginal → tratar IST (Ceftriaxona + Azitromicina) e profilaxia cirúrgica (Cefazolina + Metronidazol).

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas de prolapso de cúpula vaginal e, mais importante, secreção uretral amarelada que piora com expressão e Valsalva, sugerindo uma fístula uretrovaginal ou infecção do trato urinário/IST. A conduta inicial deve abordar a infecção, que pode ser uma IST (uretrite), antes da correção cirúrgica do prolapso, que requer profilaxia específica para cirurgias pélvicas.

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro complexo de prolapso de cúpula vaginal, uma condição comum em mulheres pós-histerectomia e na menopausa, e uma secreção uretral amarelada contínua, que piora com a expressão e a manobra de Valsalva. Este último sintoma é altamente sugestivo de uma fístula uretrovaginal ou uma uretrite/infecção do trato urinário. O manejo pré-cirúrgico deve abordar tanto a infecção quanto o planejamento da correção do prolapso. A secreção uretral amarelada, especialmente em uma paciente sexualmente ativa, mesmo que em novo relacionamento, deve levantar a suspeita de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como gonorreia e clamídia, que causam uretrite. O tratamento empírico para essas ISTs é crucial antes de qualquer procedimento cirúrgico, para evitar complicações infecciosas. A combinação de Ceftriaxona e Azitromicina é o esquema recomendado para cobrir esses patógenos. Para a correção cirúrgica do prolapso vaginal, que é uma cirurgia pélvica classificada como limpa-contaminada, a profilaxia antibiótica é essencial para reduzir o risco de infecção do sítio cirúrgico. A escolha da profilaxia deve cobrir bactérias gram-positivas e anaeróbios, que são os patógenos mais comuns nesse tipo de cirurgia. A combinação de Cefazolina (uma cefalosporina de primeira geração) e Metronidazol (para anaeróbios) é uma opção amplamente aceita e eficaz para esse cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas comuns de secreção uretral amarelada em mulheres?

A secreção uretral amarelada em mulheres pode indicar uretrite, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como clamídia ou gonorreia, ou infecção do trato urinário. Em casos de prolapso e história de cirurgia, uma fístula uretrovaginal também deve ser considerada.

Por que a combinação Ceftriaxona e Azitromicina é usada para tratar a secreção uretral?

Essa combinação é o tratamento empírico padrão para uretrite e cervicite, cobrindo as principais causas bacterianas, como Neisseria gonorrhoeae (Ceftriaxona) e Chlamydia trachomatis (Azitromicina), que frequentemente coexistem.

Qual a profilaxia antibiótica recomendada para cirurgias de correção de prolapso vaginal?

Para cirurgias de correção de prolapso vaginal, que são consideradas cirurgias limpas-contaminadas devido ao acesso vaginal, a profilaxia antibiótica geralmente inclui cobertura para bactérias gram-positivas e anaeróbios. A combinação de Cefazolina (para gram-positivos) e Metronidazol (para anaeróbios) é uma escolha comum e eficaz.

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