FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Uma primigesta, com idade gestacional de 39 semanas, encontrava-se em trabalho de parto ativo e tinha apresentação cefálica com monitorização exibindo desacelerações tardias intermitentes. Após a ruptura espontânea das membranas, foi visualizado um prolapso de cordão umbilical. Nesse momento, a paciente estava com 6 centímetros de dilatação. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta indicada.
Prolapso de cordão = Elevação da apresentação + Trendelenburg + Cesariana imediata.
O prolapso de cordão é uma emergência obstétrica que exige descompressão imediata do cordão via toque vaginal e resolução por via mais rápida, geralmente cesariana.
O prolapso de cordão umbilical é definido pela descida do cordão à frente da apresentação fetal após a amniorrexe. É uma das emergências mais dramáticas da obstetrícia, ocorrendo em cerca de 0,1% a 0,6% dos partos. Os principais fatores de risco incluem apresentações não cefálicas (pélvica, transversa), prematuridade, polidrâmnio e procedimentos como a amniotomia com apresentação alta. A compressão do cordão entre o feto e o canal de parto leva à interrupção do fluxo sanguíneo, resultando em bradicardia fetal sustentada ou desacelerações tardias graves. O manejo foca na descompressão mecânica imediata enquanto se prepara a via de parto mais rápida.
O prolapso de cordão ocorre quando o cordão umbilical se exterioriza através do colo uterino após a ruptura das membranas amnióticas, ficando à frente da apresentação fetal. Já a procidência de cordão ocorre quando o cordão está à frente da apresentação, mas as membranas ainda estão íntegras. Ambas as situações são graves, mas o prolapso é uma emergência imediata, pois a compressão mecânica do cordão entre o feto e a bacia materna interrompe o fluxo sanguíneo placentário, levando rapidamente à hipóxia fetal grave, acidose e risco de óbito se não houver intervenção cirúrgica ou parto iminente. O diagnóstico é clínico, realizado pelo toque vaginal ao sentir as alças de cordão pulsáteis.
As manobras iniciais visam reduzir a compressão do cordão pela apresentação fetal para manter a oxigenação até o parto. Deve-se realizar o toque vaginal contínuo para elevar a apresentação fetal e mantê-la afastada do cordão umbilical. Simultaneamente, a paciente deve ser colocada em posição de Trendelenburg (cabeça mais baixa que o quadril) ou posição joelho-peitoral (genupeitoral) para que a gravidade auxilie no afastamento do feto. Outra medida descrita é o preenchimento vesical com 500ml de soro fisiológico para elevar a apresentação. Essas manobras são temporárias e devem ser mantidas até o início da cesariana de emergência.
O parto vaginal só é considerado uma opção viável se a paciente já estiver em período expulsivo, ou seja, com dilatação cervical total (10 cm), e o parto for iminente ou puder ser assistido rapidamente por fórcipe ou vácuo-extrator. Caso a dilatação seja incompleta, como no caso clínico de 6 cm, a tentativa de parto vaginal é contraindicada devido ao tempo prolongado de hipóxia fetal. A cesariana de emergência torna-se o padrão-ouro para minimizar o tempo de compressão funicular. O objetivo é o nascimento no menor intervalo de tempo possível após o diagnóstico do prolapso.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo