UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Mulher de 30 anos interrompeu o uso de cabergolina após 2 anos de tratamento para uma macroadenoma. Atualmente, está sem terapia e apresenta-se assintomática há um ano. Refere estar grávida de 12 semanas e está preocupada com o reaparecimento do macroadenoma. Além disso, está preocupada com o eventual tratamento durante a gravidez. Nesse caso, você diz a ela que:
Gravidez pode ↑ crescimento de macroadenomas; monitorar sintomas visuais, não prolactina.
Durante a gravidez, o aumento fisiológico da prolactina pode mascarar o crescimento tumoral e não deve ser usado para monitoramento. Macroadenomas têm maior risco de crescimento sintomático, exigindo vigilância clínica e de campo visual.
Prolactinomas são os tumores hipofisários mais comuns, e seu manejo durante a gravidez é uma preocupação frequente. Embora microadenomas raramente cresçam ou causem sintomas durante a gestação (cerca de 3%), macroadenomas apresentam um risco significativamente maior de crescimento (15-30%), podendo levar a sintomas compressivos como cefaleia e distúrbios visuais. A compreensão da fisiologia da prolactina na gravidez é crucial para um manejo adequado. A prolactina sérica aumenta fisiologicamente durante a gravidez, tornando-a um marcador inútil para monitorar o crescimento tumoral. O acompanhamento deve ser clínico, com atenção especial a sintomas como cefaleia e alterações visuais. Para pacientes com macroadenomas, a avaliação periódica do campo visual (geralmente a cada trimestre ou conforme a necessidade clínica) é fundamental. A ressonância magnética (RM) sem contraste pode ser considerada se houver evidência de crescimento tumoral ou sintomas visuais progressivos, sendo o segundo e terceiro trimestres mais seguros para o exame. O tratamento de escolha para prolactinomas que crescem sintomaticamente durante a gravidez são os agonistas dopaminérgicos. A bromocriptina é o fármaco mais estudado e considerado seguro na gestação. A cabergolina, embora mais potente e com menos efeitos colaterais, tem menos dados de segurança em humanos, mas pode ser utilizada se a bromocriptina for ineficaz ou não tolerada. A cirurgia é uma opção de resgate para casos de falha terapêutica ou deterioração visual aguda e grave, sendo geralmente evitada durante a gravidez devido aos riscos.
Macroadenomas podem crescer durante a gravidez devido ao estímulo estrogênico, levando a sintomas compressivos como cefaleia e alterações visuais. O risco é maior que em microadenomas.
O monitoramento é primariamente clínico, com avaliação de sintomas como cefaleia e, principalmente, exames de campo visual periódicos para macroadenomas. A prolactina sérica não é útil devido à elevação fisiológica.
A primeira linha de tratamento são os agonistas dopaminérgicos, como a bromocriptina (mais estudada na gravidez) ou cabergolina (se bromocriptina falhar ou não tolerada). A cirurgia é reservada para casos refratários ou emergências visuais.
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